Vistoria em hospital de Petrópolis revela refeições deterioradas e falta de insumos; prefeitura nega irregularidades

Uma vistoria realizada no Hospital de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, revelou condições consideradas ‘graves e desumanas’ na alimentação oferecida aos pacientes, com relatos de alimentos deteriorados, falta de insumos básicos e reclamações generalizadas sobre a qualidade das refeições. A denúncia foi feita pelo vereador Marcelo Lessa (PT), que liderou a inspeção no local, e gerou reação imediata da Prefeitura de Petrópolis, que nega as irregularidades e afirma que não há processo de terceirização definido para o serviço de nutrição hospitalar.

Durante a vistoria, realizada na última quarta-feira (25), o vereador Marcelo Lessa e sua equipe encontraram alimentos vencidos, como iogurtes e pães, além de frutas e verduras em estado de deterioração. A cozinha do hospital também apresentava falta de itens essenciais, como leite, açúcar e café, o que comprometeu a preparação de refeições para os pacientes internados. ‘É uma situação degradante. Os pacientes estão recebendo comida de péssima qualidade, e isso é inaceitável para um hospital público que atende centenas de pessoas diariamente’, afirmou o vereador, que prometeu levar o caso ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

A denúncia ocorre em um contexto de crise na saúde pública de Petrópolis, que enfrenta superlotação nos hospitais e falta de medicamentos. O Hospital de Petrópolis, unidade de referência para a região, atende cerca de 1.500 pacientes por mês, e a qualidade da alimentação é um dos fatores críticos para a recuperação dos internados. A situação gerou preocupação entre familiares de pacientes, que relataram à reportagem que as refeições servidas são ‘intragáveis’ e que muitos pacientes têm rejeitado a comida.

Prefeitura nega irregularidades e aponta ‘exageros’ na denúncia

Em nota oficial, a Prefeitura de Petrópolis classificou as acusações como ‘exageradas’ e afirmou que a alimentação no hospital segue os padrões estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A administração municipal informou que realizou uma inspeção interna no mesmo dia e não encontrou alimentos vencidos ou deteriorados. ‘A prefeitura nega veementemente as irregularidades apontadas. O serviço de nutrição é monitorado diariamente, e não há qualquer processo de terceirização em andamento para a alimentação hospitalar’, diz a nota.

A prefeitura também destacou que o contrato atual com a empresa fornecedora de refeições foi renovado em janeiro deste ano, com valor mensal de R$ 1,2 milhão, e que a empresa é fiscalizada por uma equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde. No entanto, o vereador Marcelo Lessa questiona a eficácia da fiscalização. ‘Se a prefeitura diz que monitora, por que encontramos alimentos estragados? Isso é um descaso com a população’, criticou.

A polêmica ocorre em meio a um cenário político conturbado em Petrópolis, onde a gestão do prefeito Rubens Bomtempo (PSB) enfrenta críticas da oposição por supostas falhas na administração da saúde. Em fevereiro, uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) apontou irregularidades em contratos de serviços hospitalares na cidade. O caso agora deve ser investigado pelo MPRJ, que pode abrir inquérito civil para apurar as condições do hospital.

Enquanto isso, pacientes e familiares aguardam uma solução. ‘Meu pai está internado há uma semana e mal consegue comer. Isso é desumano’, desabafou Maria Aparecida Silva, 58 anos, que acompanha o marido no hospital. A situação expõe as fragilidades do sistema de saúde pública em Petrópolis, que, apesar de ser um dos maiores polos turísticos do estado, enfrenta desafios crônicos na gestão hospitalar.

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