Uma operação deflagrada nesta terça-feira, 11 de março de 2025, resultou na prisão do diretor do Instituto Rio Metrópole, Maurício Silva Knoploch dos Santos, e do presidente da instituição, Davi Perini Vermelho, além de outras quatro pessoas, em um esquema que desviou aproximadamente R$ 86 milhões dos cofres públicos. A ação, conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) em conjunto com a Polícia Civil, investiga fraudes em licitações e contratos superfaturados na área de planejamento urbano e gestão metropolitana. Maurício Knoploch é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), que não foi alvo da operação, mas cujo nome foi citado no contexto das investigações.
As prisões ocorreram em diferentes endereços na capital fluminense e em municípios da região metropolitana, como parte da chamada Operação Metrópole. Segundo as investigações, o esquema envolvia a manipulação de licitações para contratos de consultoria e obras públicas, com valores inflados e pagamentos a empresas fantasmas. O montante desviado, de R$ 86 milhões, foi identificado a partir de auditorias em contratos firmados entre 2021 e 2024, período em que o instituto era responsável por projetos de mobilidade urbana e saneamento básico.
Detalhes do esquema e impacto financeiro
De acordo com o MP-RJ, o grupo criminoso utilizava um complexo sistema de lavagem de dinheiro, com transferências para contas no exterior e aquisição de imóveis de luxo. Entre os presos, além de Maurício Knoploch e Davi Perini Vermelho, estão dois servidores públicos e dois empresários ligados a empresas de engenharia. As investigações apontam que o esquema contava com a participação de funcionários do instituto, que facilitavam a aprovação de contratos superfaturados em troca de propinas. O valor total desviado, de R$ 86 milhões, representa um impacto significativo para o orçamento do estado, especialmente em um momento de crise fiscal e cortes em áreas essenciais como saúde e educação.
A operação também revelou que parte dos recursos desviados foi utilizada para financiar campanhas políticas, embora os nomes dos candidatos beneficiados não tenham sido divulgados. O MP-RJ informou que as investigações continuam e que novas prisões não estão descartadas. O Instituto Rio Metrópole, criado em 2018 para coordenar políticas de desenvolvimento metropolitano, tem sido alvo de denúncias de irregularidades desde sua fundação, mas esta é a primeira vez que seus principais dirigentes são presos.
Panorama político e reações
O caso ganhou repercussão no cenário político fluminense, especialmente por envolver o pai de um deputado estadual do PL, partido de oposição ao governo do estado. Alexandre Knoploch, em nota, afirmou que não tinha conhecimento das atividades do pai e que confia na Justiça para esclarecer os fatos. A operação ocorre em um contexto de aumento da fiscalização sobre órgãos públicos no Rio de Janeiro, após sucessivos escândalos de corrupção envolvendo institutos e autarquias. Nos últimos meses, o MP-RJ intensificou ações contra desvios em áreas como saúde, educação e infraestrutura, com foco em contratos emergenciais e licitações fraudulentas.
Especialistas em direito público destacam que a prisão de dirigentes de institutos como o Rio Metrópole é um sinal de que o sistema de controle está se fortalecendo, mas alertam para a necessidade de reformas na gestão de recursos públicos. O governador do estado, em pronunciamento, afirmou que a operação é um exemplo de combate à corrupção e que o governo colaborará com as investigações. Enquanto isso, a população fluminense aguarda os desdobramentos do caso, que pode expor uma rede mais ampla de corrupção envolvendo políticos e empresários.
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