PSDB desiste de candidatura própria à Presidência após Aécio Neves recusar pré-candidatura

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) confirmou nesta quinta-feira (9) que o deputado federal Aécio Neves (MG), presidente da sigla, descartou a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano. A decisão, comunicada em entrevista ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’ na quarta-feira (8), foi corroborada pelo partido, que acrescentou que a sigla não terá um candidato à Presidência em 2026. O anúncio encerra um ciclo de 12 eleições consecutivas com candidatura própria tucana ao cargo máximo do Executivo federal, desde a fundação do partido em 1988.

A desistência de Aécio Neves ocorre em um contexto de fragmentação do centro político e de reconfiguração das forças partidárias para o pleito de 2026. O PSDB, que já foi a principal alternativa ao PT e ao PSDB em disputas presidenciais, enfrenta uma crise de identidade e de bancada, com redução de representação no Congresso e perda de governos estaduais. A federação formada com o Cidadania e o Solidariedade, que em maio havia proposto a pré-candidatura de Aécio Neves, agora fica sem um nome viável para a disputa majoritária.

O partido não informou os motivos que levaram à decisão do presidente tucano. Nos bastidores, especula-se que a inviabilidade eleitoral de Aécio Neves, associada a questões judiciais e à falta de capilaridade nacional, pesou na escolha. Em maio, o partido Cidadania, que compõe a federação com o PSDB e com o Solidariedade, propôs a pré-candidatura de Aécio Neves. O nome do deputado federal recebeu apoio do diretório paulista do PSDB e também de Ciro Gomes, que, após dizer que não concorreria ao Palácio do Planalto, lançou pré-candidatura ao governo do Ceará pelo partido de Aécio.

A trajetória de Aécio Neves é marcada por momentos de ascensão e declínio no cenário político nacional. Ele iniciou a carreira pública com forte ligação familiar, atuando como assessor pessoal de seu avô, Tancredo Neves, durante o governo de Minas Gerais e na campanha presidencial de 1985. Filiado ao PSDB, consolidou sua trajetória legislativa ao ser eleito deputado federal por Minas Gerais em quatro mandatos consecutivos a partir de 1986. Em 2001, durante seu quarto mandato na Câmara dos Deputados, exerceu a presidência da Casa. Foi eleito governador de Minas Gerais em 2002, no primeiro turno, e reeleito também no primeiro turno em 2006. Em 2010, renunciou ao governo mineiro para disputar uma vaga no Senado, sendo eleito. Ele assumiu a presidência nacional do PSDB pela primeira vez em 2013.

Em 2014, Aécio Neves oficializou sua candidatura à Presidência da República pelo PSDB, tendo o senador Aloysio Nunes como candidato a vice-presidente. A campanha tucana posicionou-se como principal oposição ao governo da então presidente Dilma Rousseff (PT), focando em críticas à condução da economia e propondo diretrizes liberais e de gestão fiscal inspiradas no modelo implementado em Minas Gerais. No primeiro turno das eleições daquele ano, Aécio alcançou a segunda colocação, avançando para a disputa do segundo turno contra Dilma Rousseff. A fase final da eleição foi marcada por intensa polarização política. Ao término da apuração do segundo turno, a candidata petista foi reeleita com 51,64% dos votos válidos, enquanto Aécio Neves obteve 48,36% do total, correspondendo a pouco mais de 51 milhões de votos válidos em âmbito nacional.

O cenário político para 2026 segue indefinido, com a ausência de um nome consolidado no centro. A decisão do PSDB de não lançar candidato próprio abre espaço para alianças com outras legendas, como o MDB e o União Brasil, que também buscam se viabilizar na disputa. A federação PSDB-Cidadania-Solidariedade, que já enfrenta divergências internas, precisará redefinir sua estratégia para as eleições proporcionais e majoritárias nos estados. A desistência de Aécio Neves, somada à pré-candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará, sinaliza uma fragmentação ainda maior do campo político que se opõe tanto ao PT quanto ao bolsonarismo.

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