A nova alta dos preços do petróleo nesta quinta-feira (9) levou o Ministério da Fazenda a adiar para a próxima semana a decisão sobre o fim do subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina, mantendo temporariamente o alívio ao consumidor brasileiro em meio à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O ministro Dario Durigan, que planejava anunciar o corte da subvenção ainda esta semana, recuou após novos ataques militares entre Estados Unidos e Irã na quarta-feira (8), que provocaram disparada imediata do barril de petróleo para US$ 80, segundo dados de mercado.
“Ontem, o preço do barril do petróleo voltou a subir para US$ 80, então, temos que ter cautela para retirar o subsídio”, declarou Durigan em entrevista à Rádio Gaúcha. O ministro afirmou que analisará a retirada na próxima semana, podendo ser parcial ou total, dependendo da evolução do cenário internacional. O objetivo da subvenção, segundo ele, é evitar que a escalada dos preços globais encareça o custo de vida no Brasil, pressionando os preços de produtos e serviços essenciais.
Panorama geopolítico e impacto econômico
A decisão ocorre em um contexto de agravamento do conflito no Oriente Médio, com EUA e Irã retomando hostilidades diretas, elevando o risco de interrupção no fornecimento de petróleo. A crise, que já dura cem dias, tem gerado volatilidade nos mercados globais, com o dólar recuando e a bolsa caindo, enquanto o petróleo dispara. O estreito de Ormuz, vital para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial, permanece sob ameaça, ampliando a incerteza econômica para países importadores como o Brasil.
De acordo com Durigan, o cenário de “incerteza” não afeta os planos federais de aumentar as misturas de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, conforme previsto na Lei do Combustível do Futuro (14.993), aprovada em 2024. A medida busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mitigar impactos de choques externos, mas sua implementação depende de estabilidade nos preços internacionais.
Impacto direto no bolso do brasileiro
A manutenção do subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina representa um alívio imediato para motoristas e setores dependentes de transporte, como logística e agricultura. No entanto, especialistas alertam que o adiamento do corte pode pressionar as contas públicas, já que a subvenção é bancada pelo Tesouro Nacional. A decisão final, prevista para a próxima semana, dependerá da evolução dos preços do petróleo e das negociações diplomáticas no Oriente Médio.
Enquanto isso, o Brasil acompanha de perto os desdobramentos da guerra que já impacta a economia global, com reflexos na inflação, no câmbio e no custo de vida. A crise no Oriente Médio, somada à tensão entre EUA e Irã, mantém o mercado de petróleo em alerta, e qualquer novo ataque pode reacender a pressão sobre os preços dos combustíveis no país.
Fonte: ver noticia original

