A defesa da influenciadora Virginia Fonseca divulgou nesta quinta-feira (9) uma nota em que refuta as acusações de irregularidades apontadas pelo Ministério Público do Distrito Federal (MP-DF) em um processo aberto na quarta-feira (8). A ação judicial acusa Virginia e o site de apostas Blaze de articularem uma ‘estratégia coordenada e sistemática’ para captar apostadores durante a Copa do Mundo de 2026, com indícios de ‘práticas abusivas, retenção sistemática de valores e imposição de metas de apostas aparentemente inatingíveis’. O caso ganhou repercussão após a influenciadora publicar um story no Instagram incentivando seguidores a apostar na vitória de Cabo Verde contra a Argentina, partida que ocorreu naquele mesmo dia.
Na nota oficial, o advogado Sanderson Mafra afirmou que tomou conhecimento do processo por meio da imprensa e que as alegações serão respondidas judicialmente para demonstrar ‘de forma técnica e documentada a improcedência dos pedidos formulados contra Virginia Fonseca’. A defesa refuta ‘qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores’, e sustenta que ‘a responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora’. A ação, que tramita na Justiça do Distrito Federal, é mais um capítulo na crescente regulação do mercado de apostas online no Brasil, que tem sido alvo de investigações do MP e de órgãos de defesa do consumidor.
O vídeo que motivou a ação mostra Virginia utilizando o aplicativo da Blaze para apostar R$ 200 na vitória de Cabo Verde, com uma odd de 9,2 – ou seja, o apostador ganharia R$ 9,20 para cada R$ 1 apostado. Na ocasião, a influenciadora disse: ‘Tá todo mundo sabendo que hoje vai ter Argentina contra Cabo Verde. E assim, gente, estou esperançosa que o Vozinha [goleiro de Cabo Verde] vai pegar todas pra gente. Já tô aqui na Blaze para fazer minha aposta. Cabo Verde, claro. Porque eu tô confiante no Vozinha. Vou deixar o link para quem também quiser fazer a aposta.’ A seleção de Cabo Verde, que não era favorita, perdeu por 3 a 2 e foi eliminada, resultando em perda financeira para quem seguiu a sugestão. No vídeo, é possível ver que a conta de Virginia exibia saldo de pouco mais de R$ 3,4 mil. A influenciadora também fez alertas rápidos, como a proibição para menores de 18 anos e a recomendação de jogar com responsabilidade, classificando a aposta como ‘um jogo como qualquer outro’.
O caso expõe o embate entre a liberdade de influenciadores digitais e a responsabilidade legal ao promover plataformas de apostas, especialmente em eventos esportivos de grande audiência. O MP-DF aponta que a postagem configura captação abusiva de apostadores, enquanto a defesa de Virginia insiste na ausência de dolo ou prejuízo comprovado. A ação judicial ocorre em um contexto de intensificação da fiscalização sobre o setor de bets no Brasil, que movimenta bilhões de reais e tem gerado debates sobre a proteção de consumidores e a regulação de publicidade. A decisão do caso pode estabelecer precedentes importantes para a atuação de influenciadores e empresas de apostas no país.
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