De aliado de JHC a gestor do Iprev: a trajetória de Rony Mota antes do escândalo do Banco Master

A trajetória de Rony Mota, de aliado do prefeito de Maceió JHC a presidente do Instituto de Previdência do Estado de Alagoas (Iprev), ganhou destaque após ser apontado como peça-chave no esquema que envolve o Banco Master, instituição financeira sob investigação por supostas irregularidades em contratos com fundos de pensão. A reportagem da Tribuna do Agreste revela que Mota, antes de assumir o comando do Iprev, ocupou cargos estratégicos na gestão municipal de Maceió e construiu uma rede de influência que agora é alvo de questionamentos.

Rony Mota iniciou sua carreira política como assessor próximo de JHC, então deputado federal, e, após a eleição do aliado para a prefeitura de Maceió em 2020, foi nomeado secretário municipal de Governo. Na função, coordenou projetos de infraestrutura e parcerias público-privadas, consolidando-se como um dos principais operadores políticos da gestão. Em 2023, foi indicado para a presidência do Iprev, órgão responsável pela gestão dos recursos previdenciários dos servidores estaduais, cargo que ocupava até o escândalo vir à tona.

O escândalo do Banco Master

Investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal apontam que o Banco Master teria firmado contratos suspeitos com fundos de pensão estaduais, incluindo o Iprev, para aplicação de recursos em títulos de alto risco. Documentos obtidos pela reportagem indicam que Rony Mota teria atuado para facilitar esses acordos, recebendo vantagens indevidas em troca. O montante envolvido nas operações ultrapassa R$ 200 milhões, segundo estimativas iniciais.

O caso reacende o debate sobre a governança dos fundos de pensão no Brasil, que já foram palco de escândalos como o da Petros (fundo dos funcionários da Petrobras) e da Postalis (dos Correios). Especialistas apontam que a falta de transparência e a influência política na nomeação de dirigentes são fatores que facilitam desvios. Em Alagoas, a situação é agravada pela crise fiscal do estado, que depende de recursos previdenciários para equilibrar as contas.

O prefeito JHC, em nota, afirmou que “repudia qualquer ato ilícito” e que “confia na apuração dos fatos”. Já Rony Mota, por meio de sua defesa, nega as acusações e diz que “sempre agiu dentro da lei”. O caso está sob sigilo judicial, mas deve ganhar novos capítulos nas próximas semanas, com a oitiva de testemunhas e a análise de quebras de sigilo bancário.

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