Um homem foi preso nesta quinta-feira (9) no Paraná após chutar a própria filha de 3 anos no rosto. A agressão, registrada em vídeo, ganhou grande repercussão nas redes sociais e levou a Polícia Civil a solicitar medidas protetivas para as duas crianças e a mãe. O caso, ocorrido em uma cidade do interior do estado, expõe as fragilidades do sistema de proteção à infância e reacende o debate sobre a violência doméstica no Brasil.

De acordo com a Polícia Civil do Paraná, o mandado de prisão foi cumprido após a divulgação das imagens, que mostram o momento em que o pai, identificado como João Silva (nome fictício para preservar a identidade da vítima), desfere um chute no rosto da menina. A criança foi socorrida e encaminhada a uma unidade de saúde, onde recebeu atendimento médico. O estado de saúde dela não foi divulgado oficialmente, mas fontes próximas ao caso informaram que ela não corre risco de morte.

A Polícia Civil informou que, além da prisão do agressor, foram solicitadas medidas protetivas de urgência para as duas crianças — a filha de 3 anos e um irmão mais velho — e para a mãe, que também teria sido vítima de violência psicológica. O pedido inclui o afastamento do homem do lar e a proibição de aproximação dos familiares. A Justiça deve analisar o pedido nas próximas horas.

Repercussão e mobilização social

O vídeo da agressão foi compartilhado milhares de vezes em plataformas como WhatsApp, Instagram e Twitter, gerando indignação e cobranças por parte de ativistas de direitos humanos e de organizações de proteção à criança. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná afirmou, em nota, que a prisão foi realizada de forma célere graças à colaboração da população, que denunciou o caso anonimamente. A pasta também destacou que a violência contra crianças é crime inafiançável e que o Estado atuará com rigor.

O caso ocorre em um contexto de aumento das denúncias de violência doméstica no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2025, o país registrou mais de 180 mil casos de violência física contra crianças e adolescentes, com um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. Especialistas apontam que a subnotificação ainda é um problema grave, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.

Panorama político e jurídico

A prisão do pai em flagrante e a solicitação de medidas protetivas refletem a aplicação da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que preveem punições severas para agressores. No entanto, organizações como a Associação Brasileira de Defesa da Infância criticam a lentidão do sistema judiciário e a falta de políticas públicas eficazes de prevenção. Em nota, a entidade afirmou que “casos como este são a ponta do iceberg de uma realidade de violência que atinge milhares de lares brasileiros, onde o Estado falha em proteger os mais vulneráveis”.

O governo do Paraná, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Família, anunciou que vai reforçar as campanhas de conscientização sobre violência doméstica e ampliar o número de conselhos tutelares em regiões de maior risco. A medida, porém, é vista como insuficiente por parlamentares da oposição, que cobram a criação de um fundo emergencial para abrigos e atendimento psicológico às vítimas.

O homem preso deve passar por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira (10). A defesa dele não foi localizada para comentar o caso. A identidade do agressor e da vítima foram preservadas pela reportagem para evitar a revitimização da criança e da família.

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