O governo brasileiro prepara uma nova fase de ajuda humanitária à Venezuela, após os terremotos que há duas semanas mataram pelo menos 3.889 pessoas e destruíram a nação caribenha. Nesta quinta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu por mais de duas horas com ministros e assessores para fazer um balanço das ações já realizadas e avaliar o que é possível fazer em uma nova etapa de reconstrução do país venezuelano.
Segundo interlocutores, a reunião não foi conclusiva. A avaliação na equipe de Lula é que a nova ação deve ser ainda mais coordenada com as necessidades da Venezuela. O governo brasileiro aguarda neste momento mais informações do lado venezuelano, com uma indicação do que mais precisam de auxílio, para definir nos próximos dias seu novo plano de operação no país.
Participaram da reunião o chanceler Mauro Vieira (Relações Exteriores), o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, as ministras Miriam Belchior (Casa Civil) e Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno. As operações na Venezuela são coordenadas pela Casa Civil.
Número de mortos sobe para 3.889
No final de junho, dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos. O número de mortos em decorrência dos terremotos subiu para pelo menos 3.889, enquanto o número de feridos permaneceu em quase 17 mil, segundo um boletim oficial do governo divulgado nesta quinta-feira (9).
Primeira fase da ajuda brasileira
A primeira fase das ações realizadas pelo Brasil em apoio à população venezuelana contou até agora com: 6 voos humanitários (5 da FAB e um voo solidário da Gol); 60 toneladas de suprimentos, equipamentos e insumos médicos; 100 purificadores de água; hospital de campanha com até 30 leitos, capacidade cirúrgica e de atendimento emergencial, módulo infantil e preparo para pandemias; 93 militares da Marinha para operação do hospital de campanha; 71 bombeiros militares; 4 especialistas da Defesa Civil; e 6 técnicos da Anatel.
Panorama político e ajuda a Cuba
O governo brasileiro também planeja intensificar a ajuda humanitária que já tem enviado para Cuba. O país caribenho sofre com restrições e bloqueios por parte dos Estados Unidos. Na reunião desta quinta-feira (9), Lula e sua equipe também trataram sobre o assunto. Há uma preocupação dentro do governo brasileiro de que a situação em Cuba está se tornando um problema humanitário de grandes proporções. A nova fase de ajuda à Venezuela deve considerar a coordenação com organismos internacionais e a capacidade logística brasileira, em meio a um cenário de reconstrução que exigirá esforços de longo prazo.
Fonte: ver noticia original

