Um adolescente de 16 anos foi apreendido na última terça-feira (26) em São Miguel dos Campos, interior de Alagoas, após agredir uma mulher trans e filmar o ataque. O jovem, que possui uma tatuagem de suástica no braço, foi autuado por ato infracional análogo aos crimes de lesão corporal e discriminação. A Polícia Civil de Alagoas investiga se o caso tem conexão com grupos de supremacia branca, em meio a um cenário nacional de aumento de crimes de ódio contra a população LGBTQIA+.
De acordo com a delegada Ana Paula Santos, responsável pelo caso, a vítima foi abordada pelo adolescente em uma via pública, onde sofreu socos e chutes enquanto o agressor filmava a ação com um celular. “As imagens mostram claramente a violência e a motivação discriminatória. A tatuagem de suástica é um símbolo inequívoco de ideologias neonazistas”, afirmou a delegada em coletiva de imprensa. O vídeo, que circulou em grupos de WhatsApp, foi fundamental para a identificação do suspeito.
Investigação e contexto de extremismo
A Polícia Civil agora busca determinar se o adolescente agiu sozinho ou se faz parte de uma rede organizada de supremacia branca. “Estamos analisando seus contatos em redes sociais e grupos de mensagens. Há indícios de que ele consumia conteúdo de células neonazistas online”, detalhou a delegada. O caso ocorre em um momento em que o Brasil registra um aumento de 23% nos crimes de ódio contra pessoas trans em 2025, segundo dados do Observatório de Mortes e Violências contra LGBTQIA+.
O adolescente foi encaminhado ao Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE) de Maceió, onde aguarda decisão judicial. A vítima, que não teve o nome divulgado para preservar sua identidade, recebeu atendimento médico e psicológico. “Ela está abalada, mas cooperando com as investigações. A violência foi brutal e claramente motivada por transfobia”, declarou a advogada Luciana Mendes, representante da vítima.
Reações e panorama político
O caso repercutiu nacionalmente, com entidades de direitos humanos condenando o ataque. A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) emitiu nota classificando o episódio como “um reflexo do avanço do extremismo no país”. Em contrapartida, setores conservadores minimizaram a gravidade, com o deputado estadual Carlos Oliveira (PL-AL) afirmando que “não se pode generalizar um ato isolado”. A polarização política em torno do tema evidencia a dificuldade de avançar em políticas de proteção à comunidade LGBTQIA+ no Congresso Nacional, onde projetos como a criminalização da homofobia ainda enfrentam resistência.
A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas informou que vai reforçar o patrulhamento em áreas próximas a escolas e pontos de encontro da comunidade LGBTQIA+ em São Miguel dos Campos. “Não vamos tolerar atos de ódio. A investigação será rigorosa para identificar todos os envolvidos”, garantiu o secretário João Batista Silva. Enquanto isso, a vítima e sua família pedem justiça e medidas que impeçam novos ataques.
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