A Polícia Federal (PF) revelou que um grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, oferecia até R$ 2 milhões a influenciadores digitais para atacar o Banco Central nas redes sociais. A informação consta em relatório da investigação que embasou a nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a PF, os recursos teriam origem em esquema financeiro do Banco Master, e o publicitário Eduardo Camargo é apontado como o articulador do chamado ‘Projeto DV’, voltado a desestabilizar a autarquia monetária.
A investigação da PF aponta que o esquema operava por meio de uma rede de influenciadores que recebiam pagamentos para produzir e disseminar conteúdo crítico ao Banco Central, especialmente contra a política de juros e a atuação do presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Os valores variavam de R$ 50 mil a R$ 2 milhões, conforme o alcance e a relevância dos perfis contratados. A PF identificou transferências bancárias e contratos firmados entre empresas ligadas a Vorcaro e agências de marketing digital, que repassavam os recursos aos influenciadores.
Esquema de assédio e intimidação
De acordo com o relatório da PF, o ‘Projeto DV’ não se limitava a críticas institucionais, mas incluía ações de assédio e intimidação contra servidores do Banco Central. A corporação afirma que o grupo monitorava a vida pessoal de funcionários e divulgava informações falsas para pressionar a autarquia. A operação, deflagrada em julho de 2026, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro, Camargo e outros investigados. A defesa do publicitário nega ilegalidades, conforme registrado em matéria anterior do portal.
A nova fase da Operação Compliance Zero mira especificamente o papel de Eduardo Camargo como recrutador de influenciadores. A PF aponta que ele atuava como intermediário entre o Banco Master e os perfis digitais, gerenciando pagamentos e orientando o conteúdo das postagens. A investigação também revela que o esquema tinha ramificações políticas, com tentativas de influenciar a opinião pública e parlamentares sobre a condução da política monetária.
Panorama político e desdobramentos
O caso ganha contornos políticos em um momento de tensão entre o governo federal e o Banco Central, que mantém autonomia operacional desde 2021. A revelação do esquema de difamação ocorre em meio a debates sobre a taxa básica de juros e a atuação da autarquia no controle da inflação. A operação também atinge pré-candidaturas ao Senado no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, conforme noticiado pelo portal, com o caso Master derrubando duas candidaturas. Além disso, o episódio expõe rachas no bolsonarismo, como mostrou o vídeo de Michelle Bolsonaro que acirrou a disputa por herança política.
A PF estima que o esquema movimentou pelo menos R$ 10 milhões nos últimos dois anos, com parte dos recursos desviados de operações financeiras do Banco Master. O STF autorizou a quebra de sigilos bancários e telemáticos dos investigados, e novas diligências estão em andamento. O Banco Central, em nota, afirmou que colabora com as investigações e repudia qualquer tentativa de intimidação contra seus servidores. Já a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até o fechamento desta edição.
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