Procurador do Rio denuncia ambiente institucional voltado à corrupção e cita desvios de R$ 80 milhões no Instituto Rio Metrópole

O procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Antônio José Campos Moreira, afirmou que há um ambiente institucional no estado voltado à corrupção, em declaração feita durante entrevista coletiva sobre o esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Rio Metrópole, que resultou na prisão de seis agentes e no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão. A ação penal, ajuizada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal, denunciou 11 pessoas por crimes de organização criminosa, corrupção e fraude em licitação.

Segundo Moreira, a investigação no Rio Metrópole envolve contrato no valor de R$ 80 milhões. “Outros casos, de superlativa gravidade, também estão sendo objeto de investigação”, acrescentou o procurador, que relacionou o problema à crise financeira histórica do estado. “Isso talvez explique a situação de dificuldade financeira pela qual o nosso estado passa há décadas. Inúmeras estruturas do Estado, órgãos que deveriam prestar serviços ao cidadão, foram cooptadas por delinquentes, transformando essas estruturas em antros de corrupção”, disse Moreira.

O procurador esclareceu que a investigação foi instaurada antes mesmo do recebimento da documentação encaminhada pelo governo estadual, e que as informações posteriormente compartilhadas pelo Executivo contribuíram para aprofundar as apurações. Para ele, o atual momento de integração institucional favorece o combate às irregularidades nas estruturas do estado. “Há hoje, no estado, um ambiente singular, com a chefia do Poder Executivo transitoriamente exercida pelo presidente do Tribunal de Justiça, magistrado de carreira. Isso tem possibilitado atuação integrada, mas com absoluta independência entre as instituições, no sentido de investigar crimes e atos de improbidade administrativa”, afirmou.

O cenário político do Rio de Janeiro, marcado por sucessivas crises fiscais e escândalos de corrupção, ganha novo capítulo com as declarações do chefe do MPRJ. A operação que prendeu o presidente do Instituto Rio Metrópole, por desvio de R$ 86,3 milhões, expõe a fragilidade de órgãos públicos que deveriam zelar pelo planejamento e desenvolvimento urbano. A integração entre o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e o Executivo, ainda que temporária, sinaliza um esforço conjunto para coibir práticas criminosas que há décadas comprometem a prestação de serviços à população fluminense.

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