A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), a Operação Dupla Face para desarticular um grupo criminoso investigado por aplicar golpes em clientes de bancos e desviar mais de R$ 5 milhões de contas bancárias em quatro estados: Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Sergipe. A ação, coordenada pela Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) de João Pessoa, cumpre 12 mandados judiciais, incluindo prisões preventivas e buscas e apreensões, com apoio das polícias civis dos estados vizinhos.
As investigações, iniciadas há seis meses, apontam que o grupo utilizava documentos falsos e dados pessoais obtidos de forma ilícita para acessar contas bancárias de vítimas, realizar transferências eletrônicas e sacar valores em espécie. Os crimes ocorreram entre 2023 e 2024, com prejuízo estimado em R$ 5 milhões, afetando dezenas de clientes de instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco. A Polícia Civil identificou que o esquema envolvia uma rede de intermediários, responsáveis por recrutar “laranjas” para abrir contas fraudulentas e movimentar os recursos desviados.
Esquema sofisticado e atuação interestadual
De acordo com o delegado João Paulo de Oliveira, titular da DDF, o grupo agia de forma organizada, com divisão de tarefas: alguns membros obtinham dados bancários por meio de phishing e engenharia social; outros falsificavam documentos, como RG e comprovantes de residência; e um terceiro núcleo realizava as transações e saques. “Eles tinham uma estrutura profissional, com uso de tecnologia para burlar sistemas de segurança dos bancos. O prejuízo real pode ser maior, pois muitas vítimas ainda não registraram queixa”, afirmou o delegado. A operação também mira suspeitos que atuavam em Alagoas, onde foram cumpridos mandados em Maceió e Arapiraca, além de endereços em Recife, João Pessoa e Aracaju.
A Operação Dupla Face é um desdobramento de investigações anteriores sobre fraudes bancárias no Nordeste, que já haviam identificado um padrão semelhante em outros estados. A Polícia Civil da Paraíba destacou que o grupo utilizava contas de terceiros para pulverizar os valores desviados, dificultando o rastreamento. Durante as buscas, foram apreendidos celulares, notebooks, documentos falsos e anotações que detalham o esquema. Os presos serão indiciados por crimes de estelionato qualificado, falsificação documental e associação criminosa, podendo pegar penas de até 12 anos de prisão.
Panorama político e impacto social
O caso ganha relevância em um contexto de aumento de fraudes financeiras no Brasil, que, segundo dados do Banco Central, cresceram 35% em 2024 em relação ao ano anterior, com perdas superiores a R$ 2 bilhões. A operação ocorre em meio a debates no Congresso Nacional sobre a regulamentação de medidas de segurança digital em instituições financeiras, como a obrigatoriedade de autenticação em duas etapas para transações acima de R$ 1.000. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) já se manifestou, defendendo maior cooperação entre polícias e bancos para coibir esses crimes.
Para especialistas em segurança pública, a atuação interestadual da Polícia Civil é um passo importante, mas ainda insuficiente diante da sofisticação dos golpes. “Precisamos de uma integração mais eficaz entre as forças policiais e os sistemas de inteligência financeira”, avalia o advogado criminalista Carlos Mendes, que acompanha casos similares. A Operação Dupla Face reforça a necessidade de políticas públicas que protejam consumidores e punam organizações criminosas, em um cenário onde a digitalização dos serviços bancários amplia as vulnerabilidades.
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