PF desvenda esquema de R$ 119 milhões: servidora da Câmara operava emendas para Valdemar Costa Neto e já foi alvo no gabinete de Arthur Lira

A Polícia Federal revelou um esquema de desvio de recursos públicos que movimentou R$ 119 milhões por meio de emendas parlamentares, tendo como peça central a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como ‘Tuca’, que já havia sido alvo de operação anterior no gabinete do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). O celular de Fialek foi apreendido em investigação prévia sobre o chamado ‘orçamento secreto’, e as mensagens extraídas do aparelho serviram de base para a mais recente decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que determinou novas diligências contra o esquema que beneficiava o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto.

A investigação aponta que Mariângela Fialek atuava como operadora do esquema, controlando a liberação de emendas de relator (RP-9) e direcionando recursos para municípios e entidades ligadas a aliados políticos de Valdemar Costa Neto. As mensagens extraídas do celular de ‘Tuca’ revelam diálogos com assessores e parlamentares, indicando que ela coordenava o repasse de verbas em troca de apoio político e vantagens pessoais. O montante de R$ 119 milhões, segundo a PF, foi desviado entre 2020 e 2022, período em que o orçamento secreto vigorou com força total, sem transparência ou critérios técnicos.

Operação anterior e conexão com Arthur Lira

A servidora já havia sido alvo da PF em 2023, quando agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no gabinete de Arthur Lira, na Câmara dos Deputados. Na ocasião, o celular de Fialek foi apreendido, e as investigações iniciais já apontavam para um esquema de controle de emendas que beneficiava o entorno do presidente da Câmara. As mensagens agora analisadas mostram que ‘Tuca’ não apenas operava o orçamento secreto, mas também mantinha contato direto com assessores de Valdemar Costa Neto, indicando uma rede de influência que transcendia as fronteiras partidárias.

A decisão de Flávio Dino, proferida na última semana, autorizou a quebra de sigilos bancário e telemático de novos investigados, além de determinar a oitiva de testemunhas. O ministro destacou que as provas colhidas até o momento são ‘robustas’ e apontam para a existência de uma ‘organização criminosa’ voltada ao desvio de recursos públicos. A PF agora investiga se outros parlamentares e servidores estão envolvidos no esquema, que pode ter movimentado valores ainda maiores.

Panorama político e impactos

O caso expõe as fragilidades do sistema de emendas parlamentares, especialmente o orçamento secreto, que foi alvo de críticas de entidades de controle e da sociedade civil. A revelação de que uma servidora da Câmara operava diretamente o esquema para beneficiar Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, acirra as tensões entre os Poderes e coloca em xeque a atuação de Arthur Lira, que sempre defendeu a autonomia do Legislativo na alocação de recursos. A oposição já pede a instalação de uma CPI para investigar o caso, enquanto o governo Lula, por meio da Advocacia-Geral da União, acompanha as investigações de perto.

O montante de R$ 119 milhões, se confirmado, representa um dos maiores desvios já identificados em esquemas de emendas parlamentares. A PF estima que o valor pode ser ainda maior, já que as investigações estão em estágio inicial. A servidora Mariângela Fialek, que continua lotada na Câmara, deve prestar depoimento nos próximos dias. O caso também levanta questões sobre a transparência no uso de recursos públicos e a necessidade de reformas no sistema orçamentário brasileiro.

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