Morte de criança de 6 anos em Maceió gera protesto e bloqueio na parte alta da cidade

Familiares e amigos de Ykaro, criança de 6 anos encontrada morta na última semana, realizaram um protesto na manhã desta quarta-feira (26) na parte alta de Maceió, bloqueando um trecho da via em busca de justiça. A manifestação, que reuniu dezenas de moradores, ocorre após o principal suspeito do crime, o tio-avô da vítima, ser detido pela polícia. O caso, que chocou a comunidade local, expõe a fragilidade da segurança infantil em áreas periféricas da capital alagoana e reacende o debate sobre a violência doméstica contra crianças.

De acordo com informações da Polícia Civil de Alagoas, o corpo de Ykaro foi encontrado em uma residência no bairro do Benedito Bentes, na região alta da cidade, com sinais de violência. O tio-avô, que não teve o nome divulgado, foi preso em flagrante e é investigado por homicídio qualificado. A motivação do crime ainda é desconhecida, mas a polícia trabalha com a hipótese de que a criança tenha sido vítima de agressão física. O caso foi registrado na Delegacia de Homicídios da Capital, que agora conduz as investigações.

O protesto, organizado pela família de Ykaro, contou com faixas e cartazes pedindo justiça, além de palavras de ordem contra a impunidade. Os manifestantes bloquearam a Avenida Menino Marcelo, uma das principais vias da parte alta, por cerca de duas horas, causando congestionamento e transtornos no trânsito local. A Polícia Militar de Alagoas acompanhou a manifestação, mas não houve registro de confrontos. A ação foi encerrada após a chegada de representantes do Ministério Público Estadual, que se comprometeram a acelerar o andamento do processo.

Panorama político e social

O caso de Ykaro ocorre em um contexto de crescente preocupação com a violência contra crianças em Alagoas. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o estado registrou, em 2025, um aumento de 12% nos casos de homicídio de menores de 14 anos em relação ao ano anterior. A situação é agravada pela falta de políticas públicas eficazes de proteção infantil, especialmente em áreas periféricas como o Benedito Bentes, onde a infraestrutura de segurança e assistência social é precária. A Secretaria de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência anunciou, após o protesto, a criação de um grupo de trabalho para revisar os protocolos de atendimento a crianças em situação de risco, mas ainda não há prazos definidos.

O protesto também reflete a insatisfação da população com a lentidão do sistema judiciário. Em entrevista ao portal República do Povo, a avó de Ykaro, Maria Aparecida dos Santos, afirmou que a família não confia na celeridade da Justiça. “Meu neto foi morto por alguém que deveria protegê-lo. Queremos que o culpado pague, mas sabemos que, muitas vezes, esses casos ficam impunes”, declarou. A manifestação foi apoiada por movimentos sociais locais, como a União de Moradores do Benedito Bentes, que cobram ações concretas do poder público para evitar novas tragédias.

Enquanto as investigações prosseguem, a comunidade de Maceió permanece em luto e alerta. O caso de Ykaro, que mobilizou não apenas a família, mas também vizinhos e ativistas, expõe a urgência de políticas integradas de proteção à infância e de combate à violência doméstica. A Polícia Civil informou que novas diligências estão sendo realizadas para esclarecer todos os detalhes do crime, e que o suspeito permanece detido à disposição da Justiça. A expectativa é de que o inquérito seja concluído nos próximos dias, mas a família de Ykaro promete continuar nas ruas até que a justiça seja feita.

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