Os trabalhadores da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) aprovaram uma nova paralisação para o dia 15 de julho, em meio ao impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A categoria denuncia tratamento desigual entre os servidores e a diretoria da companhia, além de cobrar avanços concretos nas discussões salariais e de condições de trabalho. A decisão foi tomada em assembleia realizada na última semana, conforme informações divulgadas pelo sindicato da categoria.
A paralisação está marcada para ocorrer em todas as unidades da Casal em Alagoas, incluindo a sede em Maceió e as regionais no interior do estado. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Saneamento de Alagoas (Sindas), a mobilização é uma resposta à falta de progresso nas negociações com a diretoria da empresa, que, segundo a entidade, tem se mostrado inflexível em relação às demandas dos trabalhadores. Entre os principais pontos de reivindicação estão a reposição das perdas inflacionárias, a garantia de reajuste salarial e a melhoria das condições de trabalho nas estações de tratamento e redes de distribuição.
O movimento grevista ocorre em um contexto de tensão no setor de saneamento em Alagoas, que enfrenta desafios históricos de infraestrutura e investimentos. A Casal, responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto em grande parte do estado, tem sido alvo de críticas por parte de trabalhadores e usuários, que apontam deficiências no serviço prestado. A paralisação de 15 de julho promete afetar diretamente a população, que já convive com rodízios no abastecimento e interrupções frequentes no fornecimento de água.
Além das questões salariais, os trabalhadores denunciam um tratamento desigual entre os servidores de base e a diretoria da companhia. Segundo o Sindas, enquanto os funcionários enfrentam cortes de benefícios e congelamento de salários, os diretores da Casal teriam recebido aumentos e bônus nos últimos meses. A denúncia foi reforçada pelo presidente do sindicato, José Carlos dos Santos, que afirmou que a categoria não aceitará mais a discriminação e exigirá transparência nas contas da empresa.
O governo do estado de Alagoas, que controla a Casal, ainda não se manifestou oficialmente sobre a paralisação. No entanto, fontes ligadas à Secretaria de Infraestrutura indicam que o governo busca uma mediação para evitar a greve, que pode agravar a crise no abastecimento de água em pleno período de estiagem. A paralisação também ocorre em meio a discussões sobre a privatização da companhia, que tem sido defendida por setores do governo e criticada por trabalhadores e movimentos sociais.
O cenário político em Alagoas é marcado por disputas entre o governo estadual e as entidades sindicais, que têm se mobilizado contra as reformas trabalhista e da previdência. A paralisação da Casal se insere em um movimento mais amplo de resistência dos servidores públicos estaduais, que enfrentam cortes orçamentários e ameaças de demissões. A expectativa é que a greve de 15 de julho seja a primeira de uma série de paralisações programadas para o segundo semestre, caso as negociações não avancem.
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