Com a chegada do inverno, especialistas em saúde alertam para um aumento significativo das crises de asma em crianças, impulsionado por fatores como viroses sazonais, ambientes fechados e maior exposição a poeira e mofo. A orientação médica destaca que a vacinação e o tratamento contínuo são medidas fundamentais para evitar internações e complicações respiratórias, em um cenário que exige atenção redobrada de famílias e gestores públicos.
De acordo com pneumologistas e pediatras ouvidos pela reportagem, as baixas temperaturas levam as famílias a manter portas e janelas fechadas, o que concentra alérgenos como ácaros, fungos e pelos de animais. Além disso, o aumento de infecções virais, como o vírus sincicial respiratório (VSR) e a influenza, desencadeia inflamações nas vias aéreas, agravando quadros asmáticos em crianças já diagnosticadas ou com predisposição.
Prevenção e tratamento: o papel da vacinação
Especialistas reforçam que a vacinação contra a gripe e outras doenças respiratórias é uma das principais ferramentas para reduzir o risco de crises. A imunização, aliada ao uso correto de medicamentos de controle, como corticoides inalatórios, pode diminuir a frequência e a gravidade dos episódios. “Manter a carteira vacinal em dia e seguir o plano terapêutico prescrito pelo médico são passos essenciais para evitar que uma simples virose se transforme em uma emergência”, afirmou a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), em nota técnica.
O alerta ganha relevância em um contexto de pressão sobre o sistema de saúde. Dados do Ministério da Saúde indicam que, nos meses de inverno, as internações por asma em crianças de 0 a 14 anos podem crescer até 40% em relação à média anual. A situação é agravada pela falta de adesão ao tratamento contínuo e pelo acesso desigual a serviços especializados, especialmente em regiões mais vulneráveis.
Panorama político e social: desafios para a saúde pública
O aumento das crises de asma no inverno expõe fragilidades estruturais no atendimento à saúde infantil no Brasil. Enquanto o governo federal, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, mantém programas de distribuição de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), estados e municípios enfrentam dificuldades para garantir a capilaridade do atendimento. A crise climática, com ondas de frio mais intensas e seca prolongada em algumas regiões, também contribui para a piora da qualidade do ar, aumentando a exposição a poluentes que irritam as vias respiratórias.
Paralelamente, o Congresso Nacional discute projetos que podem impactar o financiamento de políticas de saúde preventiva, como a ampliação do orçamento para campanhas de vacinação e a compra de insumos para o tratamento da asma. Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) têm reiterado a importância de investimentos contínuos em atenção primária para reduzir as desigualdades no acesso a cuidados respiratórios.
Para os especialistas, a prevenção passa também por medidas simples no dia a dia: evitar carpetes e cortinas que acumulam poeira, manter a casa arejada sempre que possível, usar capas antialérgicas em colchões e travesseiros, e evitar a exposição a fumaça de cigarro ou fogão a lenha. “A asma não tem cura, mas tem controle. Com informação e acesso a tratamento, é possível garantir que as crianças tenham um inverno mais seguro e saudável”, concluiu a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
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