Em uma carta pública endereçada a autoridades dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Donald Trump, associações que representam empresários brasileiros e americanos defenderam a ampliação do comércio entre os dois países em diversas áreas, entre as quais data centers, automóveis e minerais críticos. O documento, enviado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e pela US Chamber of Commerce, surge em meio às negociações entre Brasil e Estados Unidos para evitar o tarifaço sobre produtos brasileiros vendidos no mercado americano, cujo prazo para acordo expira em 15 de julho.
Estimativas da CNI indicam que, se implementado, o tarifaço atingirá cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os EUA, totalizando US$ 15 bilhões. O Itamaraty já mapeou mais de 40 empresas americanas que se opõem à medida, enquanto o governo brasileiro tenta convencer o USTR (Representante Comercial dos EUA) a rever a proposta de aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A carta dos empresários propõe medidas concretas para destravar as negociações, incluindo ampliar o acesso a mercados de segurança energética e data centers, aprofundar a cooperação regulatória nos setores automotivo e farmacêutico, apoiar uma moratória da OMC sobre transmissões eletrônicas, acelerar o exame de patentes e cooperar em minerais críticos.
Pressão do setor produtivo e resposta do governo
“Encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros”, afirma um trecho da carta. As entidades concluem que “o avanço por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”. O documento é endereçado aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além do secretário de Estado americano Marco Rubio e do representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores afirmou: “Agradecemos as sugestões do setor privado e continuamos empenhados na negociação e no diálogo com as autoridades norte-americanas, diálogo que já dura um ano, em defesa do interesse nacional.” O Brasil aguarda reuniões entre equipes brasileiras e americanas antes do dia 15 de julho, data limite para o USTR decidir sobre as tarifas. O cenário reflete a complexa relação comercial entre os dois países, em um contexto de disputas globais e da ascensão de pautas protecionistas nos EUA, enquanto o governo Lula busca equilibrar a defesa da indústria nacional com a necessidade de manter mercados estratégicos abertos.
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