A morte de Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, durante o parto no Hospital Regional de Samambaia, no Distrito Federal, na sexta-feira (12), levanta graves questionamentos sobre a qualidade do atendimento obstétrico na rede pública e reacende o debate sobre a segurança de gestantes no sistema de saúde do país. O marido da vítima, Hilton André Roque da Conceição, pede que o caso seja investigado e clama por justiça. A recém-nascida, que nasceu sem respirar, segue internada em estado grave na UTI neonatal.
“A gente foi encontrar a vida e encontramos a morte. Agora, é pedir força a Deus em um momento difícil. A gente já tinha feito tudo, comprado berço, pintado o apartamento. Esperar em Deus e na justiça, eu quero justiça”, desabafou Hilton nesta segunda-feira (13). O depoimento reflete a dor de uma família que, segundo relatos, enfrentou uma sequência de falhas no atendimento médico.
O que diz a família sobre o caso
De acordo com parentes, Maria Graciana deu entrada no hospital na manhã de quinta-feira (9), com a bolsa rompida, mas sem dilatação e sem contrações. Apesar de a paciente informar que não tinha condições de passar por um parto normal, a equipe médica manteve a tentativa desse procedimento por várias horas e demorou a indicar a indução do parto. A cesariana só foi realizada após o bebê apresentar sinais de sofrimento fetal, com queda dos batimentos cardíacos, durante a madrugada de sexta-feira (10).
Durante a cirurgia, Maria Graciana sofreu uma hemorragia grave, precisou passar por uma histerectomia (retirada do útero), teve duas paradas cardiorrespiratórias e morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A família também denuncia que não recebeu atualizações sobre o estado de saúde da paciente e só foi informada da morte horas depois.
Condição da recém-nascida
A recém-nascida também apresentou complicações. Segundo os familiares, a bebê nasceu sem respirar, precisou ser reanimada e internada na UTI neonatal. A família afirma que a criança necessita de transferência para o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), unidade com maior suporte para o caso, e que ainda aguarda a remoção.
Posição oficial e panorama político
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou, em nota, que “o caso está sendo apurado com rigor”. A pasta não detalhou prazos ou medidas imediatas. O episódio ocorre em meio a um cenário nacional de alerta: o Brasil registra altas taxas de mortalidade materna, especialmente entre mulheres negras e de baixa renda, e a falta de estrutura em hospitais públicos é apontada por especialistas como um dos principais fatores de risco.
O caso de Maria Graciana levanta ainda questões sobre a autonomia da paciente e a comunicação entre equipe médica e familiares. A demora na realização da cesariana, mesmo diante do pedido da gestante e dos sinais de sofrimento fetal, é um ponto central na denúncia de negligência. A morte da mulher, que estava grávida de 41 semanas, ocorre em um momento em que o sistema de saúde do DF enfrenta críticas recorrentes por superlotação e falta de profissionais.
A família aguarda a conclusão da investigação e a transferência da bebê para uma unidade com mais recursos. Enquanto isso, o caso se soma a uma série de episódios que expõem as fragilidades do atendimento obstétrico público no país e acendem um alerta para a necessidade de políticas mais eficazes de prevenção e acolhimento.
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