O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente, neste sábado (26), o plano da Casa Branca de controlar o Estreito de Ormuz, rota estratégica do Oriente Médio, e cobrar uma taxa de 20% sobre todos os carregamentos de petróleo que passarem pelo local. Em declaração à imprensa, Lula afirmou que a medida, proposta pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, é uma prática que ‘antigamente se chamava pirataria’. A declaração ocorre em meio a um cenário de crescente tensão geopolítica, com impactos diretos sobre o mercado global de energia e as economias de países dependentes do petróleo da região.
O Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente. A proposta de Trump, que ainda não foi formalizada como política oficial, prevê a criação de um ‘pedágio’ de 20% sobre o valor dos carregamentos que transitam pelo estreito, com o objetivo de financiar operações de segurança na região e pressionar países como o Irã. A ideia gerou reações imediatas de líderes mundiais e especialistas em comércio internacional, que alertam para o risco de aumento nos preços dos combustíveis e de desestabilização de economias emergentes.
Lula, em sua fala, destacou que a cobrança de uma taxa tão elevada sobre uma rota comercial essencial viola princípios básicos do direito internacional e do livre comércio. ‘Não é possível que, no século XXI, um país se ache no direito de cobrar pedágio sobre o petróleo que passa por uma via marítima. Isso é pirataria, pura e simplesmente’, afirmou o presidente, que também criticou a postura unilateral dos Estados Unidos em decisões que afetam todo o planeta. A declaração de Lula ecoa a posição de outros países do Sul Global, como a China e a Índia, que também manifestaram preocupação com a medida.
O plano de Trump, que ainda enfrenta resistência dentro do próprio governo americano, é visto como uma tentativa de reforçar o controle dos EUA sobre o Oriente Médio, especialmente em um momento de fragilidade das relações com o Irã. Especialistas apontam que a taxa de 20% poderia gerar um aumento imediato de até 15% no preço do barril de petróleo, impactando diretamente consumidores em todo o mundo. Países como o Brasil, que importa petróleo do Oriente Médio, e nações europeias, que dependem da rota para abastecer suas refinarias, seriam particularmente afetados.
Panorama político e reações internacionais
A crítica de Lula a Trump insere-se em um contexto de tensões comerciais e geopolíticas crescentes entre as potências mundiais. Enquanto os EUA buscam reforçar sua presença no Oriente Médio, a Rússia e a China têm ampliado sua influência na região, com acordos de cooperação energética e militar. A proposta de pedágio no Estreito de Ormuz é vista por analistas como mais um capítulo na disputa pelo controle das rotas de energia globais, que já inclui sanções econômicas e ameaças de bloqueio naval.
No Brasil, a declaração de Lula gerou reações divididas. Enquanto aliados do governo elogiaram a defesa da soberania nacional e do multilateralismo, setores da oposição criticaram o tom do presidente, argumentando que a medida poderia prejudicar as relações comerciais com os EUA. O Ministério das Relações Exteriores informou que está monitorando a situação e que buscará diálogo com o governo americano para evitar impactos negativos sobre a economia brasileira. A Petrobras, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente, mas fontes internas indicam que a empresa já avalia cenários de aumento nos custos de importação.
Enquanto isso, organizações internacionais como a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a Agência Internacional de Energia (AIE) alertam para os riscos de uma escalada de tensões na região. A taxa de 20% proposta por Trump, se implementada, poderia desencadear uma crise energética global, com consequências imprevisíveis para a economia mundial. Lula, ao classificar a medida como ‘pirataria’, coloca o Brasil ao lado de outras nações que defendem a manutenção de rotas marítimas abertas e livres de barreiras unilaterais, em um momento em que o comércio global já enfrenta desafios significativos.
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