Moradores do bairro Jacintinho, em Maceió, interditaram um trecho da Rua Coronel Paranhos na manhã desta segunda-feira, 26 de julho, utilizando materiais improvisados como pneus, galhos e entulho. O protesto, que durou cerca de três horas, bloqueou completamente a via, uma das principais do bairro, gerando congestionamentos e transtornos para motoristas e pedestres. Os manifestantes, organizados por associações comunitárias locais, denunciam a falta de serviços essenciais, como coleta de lixo regular, iluminação pública e atendimento básico de saúde, além de reivindicar melhorias na segurança pública após uma série de assaltos e homicídios na região.
A ação ocorre em um contexto de crescente insatisfação popular em Alagoas, onde a crise de infraestrutura urbana atinge bairros periféricos como o Jacintinho, que abriga cerca de 100 mil habitantes. Dados da Prefeitura de Maceió indicam que o bairro possui uma das maiores densidades populacionais da cidade, mas carece de investimentos proporcionais em saneamento, pavimentação e transporte público. Durante o protesto, os moradores exibiram faixas com frases como “Basta de abandono” e “Queremos dignidade”, enquanto entoavam gritos de ordem contra a administração municipal e o governo estadual.
O protesto no Jacintinho não é um caso isolado. Em Maceió, manifestações semelhantes ocorreram nos bairros Benedito Bentes e Tabuleiro do Martins nas últimas semanas, todas motivadas pela precariedade dos serviços públicos. Especialistas apontam que a situação reflete um déficit histórico de planejamento urbano em Alagoas, estado que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possui o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil em diversas regiões metropolitanas. A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas informou que não houve registro de confrontos diretos entre manifestantes e forças policiais, mas agentes da Guarda Municipal foram deslocados para monitorar a situação e evitar danos ao patrimônio público.
O bloqueio foi desfeito por volta das 11h, após negociação entre líderes comunitários e representantes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), que se comprometeram a encaminhar as reivindicações à Prefeitura de Maceió. No entanto, os manifestantes prometeram novas paralisações caso não haja respostas concretas em até 15 dias. O episódio evidencia a tensão social em Maceió, que enfrenta uma taxa de desemprego de 14,2%, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), e uma das maiores desigualdades de renda do país, com um coeficiente de Gini de 0,62, conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
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