Publicitário investigado pela PF no caso Master encerra agência e anuncia ano sabático

O publicitário Thiago Miranda, investigado pela Polícia Federal sob suspeita de coordenar ataques ao Banco Central a mando de Daniel Vorcaro, do Banco Master, informou nesta segunda-feira (13) que está encerrando as atividades de sua empresa, a agência Mithi, e irá tirar um período sabático. A decisão ocorre em meio a uma operação da PF que apura a atuação de profissionais de comunicação na disseminação de informações falsas e na tentativa de desestabilizar a autarquia financeira, ampliando o escrutínio sobre as relações entre o setor privado e as instituições públicas.

A investigação, que teve início após denúncias de jornalistas e entidades de defesa da liberdade de imprensa, aponta que Thiago Miranda teria sido contratado por Daniel Vorcaro para orquestrar uma campanha de difamação contra o Banco Central, com o objetivo de pressionar a instituição a adotar medidas favoráveis ao Banco Master. A operação da PF, deflagrada em julho de 2026, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao publicitário e a outros suspeitos, gerando forte repercussão no meio político e empresarial.

Contexto político e institucional

O caso ganha contornos ainda mais complexos em um cenário de crescente tensão entre o governo federal e o Banco Central, que tem sido alvo de críticas de setores do Executivo por sua política de juros e autonomia. A suspeita de que um empresário do setor financeiro tenha contratado um publicitário para atacar a autarquia levanta questões sobre os limites da atuação privada na esfera pública e a vulnerabilidade das instituições a pressões externas. Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, já havia sido alvo de outras investigações relacionadas a operações financeiras e agora vê seu nome associado a um esquema que pode envolver crimes de calúnia, difamação e até mesmo tentativa de obstrução das funções regulatórias do Banco Central.

O fechamento da agência Mithi e o anúncio de um ano sabático por parte de Thiago Miranda são interpretados por analistas como uma tentativa de minimizar os danos à sua imagem e evitar novas sanções legais. No entanto, a Polícia Federal segue com as investigações, que podem resultar em indiciamentos e processos judiciais. O caso também reacende o debate sobre a necessidade de maior transparência nas relações entre empresas de comunicação e instituições financeiras, além de reforçar a importância da independência do Banco Central diante de pressões políticas e econômicas.

Em nota, a defesa de Thiago Miranda afirmou que ele “sempre atuou dentro da legalidade” e que a decisão de encerrar a agência é pessoal, não relacionada à investigação. Já Daniel Vorcaro, por meio de sua assessoria, negou qualquer envolvimento em ataques ao Banco Central e disse confiar na apuração dos fatos. O Banco Central, por sua vez, preferiu não comentar o caso, mas reiterou seu compromisso com a estabilidade financeira e a defesa de sua reputação institucional.

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