O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, anunciou nesta terça-feira (14) a intenção de criar um selo de acurácia eleitoral para premiar os institutos de pesquisa que mais acertarem os resultados das eleições. A minuta com a proposta foi apresentada em reunião com 16 institutos de pesquisa no TSE, incluindo Instituto Apex Partners, Instituto AtlasIntel, Instituto DataFolha, Instituto Data Povo, Instituto Data Tempo, Instituto Direto ao Ponto, Instituto Ipsos-Ipec, Instituto Quaest, Instituto MDA Pesquisa, Instituto Ipespe, Instituto Nexus, Instituto Paraná Pesquisas, Instituto de Pesquisas Perfil, Instituto Poderdata, Instituto Real Time Big Data e Instituto Vox Brasil.
O encontro foi marcado a pedido do ministro Nunes Marques após a interrupção em junho do julgamento que discute decisão individual do próprio presidente da Corte Eleitoral, que determinou a retirada do conteúdo e a suspensão da divulgação de uma pesquisa realizada pelo Instituto AtlasIntel. A pesquisa apontou, em maio, queda de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, depois do vazamento de um áudio em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro.
“É chegado o momento da Justiça Eleitoral laurear as empresas que a cada ciclo dedicam os seus maiores esforços em favor da democracia. Essa iniciativa destina-se ao reconhecimento das entidades cujas estimativas apresentem o maior grau de aderência dos resultados oficiais das eleições”, disse o ministro. Os institutos de pesquisa terão até sexta-feira (17) para enviar contribuições sobre a proposta. Essas contribuições, de acordo com o presidente do TSE, servirão para a definição dos critérios de escolha dos ganhadores da premiação.
Segundo Kassio Nunes Marques, as pesquisas eleitorais ocupam posição de relevância no debate público. “O eleitorado brasileiro atribui significativo valor às informações por elas produzidas, que se consolidaram como sustentáculo na compreensão da dinâmica eleitoral, possuindo impacto efetivo no engajamento desse processo”, acrescentou o ministro. “Em um cenário de constante evolução das metodologias de coleta de dados, dos hábitos de comunicação da sociedade e das formas de interação entre os eleitores, o aprimoramento permanente das pesquisas constitui desafio compartilhado por toda a comunidade científica e pelas instituições que atuam no processo democrático.”
A proposta ocorre em meio a um contexto de tensão entre o TSE e institutos de pesquisa, especialmente após a decisão de Nunes Marques de suspender a divulgação da pesquisa do AtlasIntel. Críticos apontam que a premiação pode confundir ciência com “bola de cristal”, conforme reportagem do g1. A iniciativa, no entanto, busca fortalecer a credibilidade das pesquisas eleitorais, que têm impacto direto no engajamento do eleitorado e na dinâmica das campanhas. O panorama político geral reflete a crescente importância da transparência e da precisão dos levantamentos, especialmente em um ano eleitoral marcado por disputas acirradas e desinformação.
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