O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (14) que defenderá a forma como a Casa aloca e executa suas emendas parlamentares, mesmo após a Polícia Federal (PF) identificar que parlamentares sem mandato, como o ex-deputado Eduardo Cunha, influenciam na destinação dos recursos. A declaração ocorre em meio a uma operação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que também mirou o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e resultou no bloqueio de R$ 119 milhões do dirigente partidário e R$ 6 milhões de Cunha, por suspeita de desvio de emendas.
“Vamos defender aquilo que está sendo feito. Temos a convicção de que a Câmara está cumprindo a lei acerca da aplicabilidade, da execução das emendas e nós vamos demonstrar isso dentro do processo”, declarou Motta, em sua primeira manifestação pública após a divulgação da decisão de Dino no último domingo (12). O ministro do STF baseou-se em um relato da PF que aponta que uma funcionária da Câmara, Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, contava com “pleno aval” da presidência da Casa para direcionar verbas de emendas conforme requerimento de deputados sem mandato, como Cunha. Questionado sobre esse ponto, Motta limitou-se a dizer que não comentaria o caso.
Investigação e bloqueios milionários
Na semana passada, Flávio Dino bloqueou R$ 119 milhões de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, por suspeita de desvio de emendas parlamentares. Motta classificou a decisão como “inaceitável”. De acordo com a investigação, deputados federais eram falsamente apontados como “solicitantes” das indicações, a fim de conferir ares de legalidade. As indicações de Valdemar eram planilhadas e encaminhadas aos ministérios responsáveis pelos programas. Já o bloqueio de R$ 6 milhões de Eduardo Cunha foi autorizado por Dino no último domingo, como parte da mesma operação.
As medidas são desdobramento da chamada “Operação Transparência”, realizada em dezembro do ano passado, que teve Mariângela Fialek como alvo. A PF identificou que parlamentares sem mandato, como Cunha, continuavam a influenciar a destinação de emendas, utilizando a estrutura da Câmara para direcionar recursos. O estudo aponta que mais de R$ 1 bilhão em emendas de comissão não têm identificação do autor, o que levanta dúvidas sobre a transparência do processo.
Panorama político e reações
A crise expõe as tensões entre os Poderes Legislativo e Judiciário, com o STF atuando de forma incisiva para coibir irregularidades na execução orçamentária. Enquanto Motta defende a legalidade das ações da Câmara, a oposição critica a falta de transparência e o uso político das emendas. O caso também envolve figuras de peso, como Valdemar da Costa Neto, que comanda o maior partido da oposição, e Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e pivô do impeachment de Dilma Rousseff. A situação coloca em xeque a credibilidade do sistema de emendas e pode gerar novas investigações sobre o uso de recursos públicos.
Fonte: ver noticia original

