PF indicia 48 pessoas, incluindo dois ex-presidentes do INSS, por fraudes bilionárias em aposentadorias

A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre fraudes em descontos de milhões de aposentadorias e pensões do INSS e indiciou dois ex-presidentes do instituto e mais 46 pessoas, entre elas o Careca do INSS. O inquérito apurou descontos indevidos feitos pela Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), que arrecadou mais de R$ 708 milhões com cobranças não autorizadas. A investigação encontrou indícios de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O esquema consistia em descontos mensais nos benefícios de aposentados e pensionistas em nome de diversas entidades, como se os segurados tivessem se tornado membros de associações sem autorização. A Controladoria-Geral da União começou a investigar o caso em 2023, e em 2025 a PF deflagrou a Operação Sem Desconto, que resultou nos indiciamentos.

Indiciados e valores envolvidos

Entre os 48 indiciados estão Alessandro Stefanutto, funcionário de carreira e ex-presidente do INSS no governo Lula, que segundo a PF recebeu propina mensal de R$ 250 mil entre 2023 e 2024; o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, suspeito de receber mais de R$ 6 milhões em propina; e o ex-diretor de benefícios André Paulo Félix Fidelis, que teria recebido mais de R$ 3 milhões. Os três estão presos preventivamente. Também foram indiciados o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que está foragido; o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que também está preso; e José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Bolsonaro e ex-presidente do INSS, que se converteu ao islamismo e hoje usa o nome Ahmed Mohamad Oliveira.

Panorama político e próximos passos

A PF enviou o resultado do inquérito ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Agora, o ministro deve encaminhar o material à Procuradoria-Geral da República, que decidirá se denuncia ou não os investigados. A polícia continuará investigando fatos envolvendo outras associações e pessoas acusadas de envolvimento nas fraudes no INSS. A estimativa dos investigadores é de que o esquema total pode superar R$ 6,3 bilhões, considerando todas as entidades envolvidas. O caso expõe fragilidades no sistema de controle de descontos previdenciários e levanta questões sobre a atuação de entidades de classe e a supervisão governamental.

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