A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram nesta quinta-feira (26) a Operação Hawala, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 100 milhões oriundos de facções criminosas do Rio de Janeiro e de São Paulo. As autoridades apuram ainda uma possível ligação do esquema com a estrutura financeira da Al-Qaeda, organização terrorista internacional.
A operação, coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPRJ, cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a suspeitos nos dois estados. Segundo as investigações, o grupo utilizava um sistema informal de transferência de valores, conhecido como hawala, para movimentar os recursos sem deixar rastros bancários tradicionais.
Esquema transnacional e possível elo com terrorismo
De acordo com a Polícia Civil, o esquema operava com a participação de doleiros e intermediários que recebiam dinheiro em espécie de facções e, em contrapartida, disponibilizavam valores em contas no exterior ou em outros estados. A apuração inicial indica que parte dos recursos pode ter sido destinada a financiar atividades da Al-Qaeda, o que levou as autoridades a acionarem a Cooperação Internacional para rastrear os fluxos financeiros.
O MPRJ informou que a investigação teve início após a prisão de um suspeito com grande quantia em espécie e documentos que indicavam transações com países do Oriente Médio. A análise de dados bancários e de comunicações revelou a movimentação de R$ 100 milhões em um período de dois anos, com indícios de que o esquema era utilizado tanto para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas quanto para possível financiamento de grupos extremistas.
Panorama político e impacto social
A operação ocorre em um contexto de aumento da atuação de facções criminosas no Brasil, que têm expandido suas operações para o exterior, inclusive com conexões com organizações terroristas. Especialistas apontam que a utilização de sistemas informais de transferência de valores, como o hawala, dificulta o rastreamento e exige cooperação internacional mais robusta.
A Operação Hawala é a mais recente de uma série de ações conjuntas entre a Polícia Civil e o MPRJ para combater a lavagem de dinheiro e o crime organizado. Em julho, a Operação Falsum Imperium prendeu suspeitos de golpes virtuais que movimentaram mais de R$ 4 milhões, e a Justiça manteve a prisão temporária de um trader e mais 10 suspeitos de estelionato e lavagem de dinheiro no Piauí. Além disso, a irmã de Deolane Bezerra revelou adaptação à prisão enquanto a defesa busca reverter a prisão preventiva, e o ministro Moraes determinou a soltura de um ex-prefeito de Belford Roxo preso com fuzil durante operação da PF.
As investigações continuam em sigilo, mas a Polícia Civil e o MPRJ afirmam que novas fases da operação podem ocorrer nos próximos meses, com foco em desarticular completamente a rede financeira que sustenta as facções e suas possíveis conexões internacionais.
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