O governo venezuelano divulgou novo balanço nesta segunda-feira, apontando que o número de mortos após os terremotos que atingiram o país no fim de junho subiu para 4.829, enquanto os feridos já somam mais de 16 mil. O levantamento, apresentado por autoridades locais, também confirma que milhares de pessoas seguem desabrigadas, em meio a uma crise humanitária que se aprofunda a cada dia. Os tremores, de magnitudes significativas, devastaram regiões inteiras, especialmente no norte e no centro do país, onde a infraestrutura já era frágil antes da tragédia.
O novo número de mortos representa um aumento de 268 óbitos em relação ao último boletim oficial, que registrava 4.561 vítimas fatais. A escalada dos números reflete a dificuldade de acesso a áreas isoladas e a sobrecarga dos serviços de resgate e saúde. Equipes de busca continuam trabalhando nos escombros, enquanto hospitais de campanha são montados para atender os feridos. A Defesa Civil venezuelana informou que mais de 200 mil pessoas foram deslocadas de suas casas, muitas das quais perderam tudo.
Panorama político e ajuda internacional
A tragédia expõe a fragilidade do sistema de resposta a desastres na Venezuela, que já enfrentava uma grave crise econômica e política antes dos terremotos. A falta de combustível, medicamentos e equipamentos pesados tem dificultado as operações de resgate e a distribuição de ajuda humanitária. Organizações internacionais, como a Cruz Vermelha e a ONU, já enviaram equipes de emergência, mas a burocracia e as sanções econômicas impostas ao país têm limitado a entrada de recursos.
O Brasil, por sua vez, planeja uma nova etapa de ajuda humanitária à Venezuela, conforme anunciado pelo governo brasileiro. A medida visa enviar alimentos, água potável, tendas e medicamentos para as regiões mais afetadas. A iniciativa ocorre após os terremotos terem matado 3.889 pessoas em um primeiro momento, número que subiu rapidamente nas semanas seguintes. A cooperação regional se intensifica, com países como Argentina, México e Colômbia também oferecendo apoio logístico e financeiro.
Enquanto isso, a população venezuelana enfrenta uma realidade de desabrigados em massa, com famílias inteiras vivendo em abrigos improvisados ou nas ruas. A falta de água potável e de saneamento básico aumenta o risco de surtos de doenças, como cólera e dengue. A crise humanitária, que já era considerada uma das piores do mundo, agora se agrava com a destruição de hospitais, escolas e estradas. A comunidade internacional pressiona por uma resposta coordenada, mas a polarização política interna dificulta a implementação de medidas eficazes.
Os terremotos, que ocorreram em uma região sísmica ativa, reacenderam o debate sobre a necessidade de investimentos em prevenção e infraestrutura resiliente na América Latina. Especialistas alertam que, sem um plano de reconstrução robusto e transparente, o país pode levar anos para se recuperar. Enquanto isso, o número de mortos pode continuar subindo, à medida que corpos são encontrados sob os escombros e feridos graves não resistem.
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