Senador Flávio Bolsonaro critica governo Lula por tarifaço dos EUA e alega falta de liderança diplomática

O senador Flávio Bolsonaro culpou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, ao compartilhar uma declaração do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que acusou o Brasil de não negociar “de boa-fé” sobre as tarifas de 25% que afetam produtos brasileiros. Em sua postagem, Flávio afirmou que “estamos em um avião sem piloto”, em referência à condução da política externa brasileira.

A declaração de Rubio, divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA, aponta que o governo brasileiro não teria demonstrado disposição para um diálogo construtivo sobre as tarifas, que foram anunciadas em julho de 2025 e entraram em vigor em agosto. A medida americana afeta setores como siderurgia, alumínio e agronegócio, gerando preocupação entre exportadores brasileiros. O Itamaraty, por sua vez, já havia informado que manteve mais de 30 contatos com representantes americanos para tentar reverter a decisão, mas sem sucesso até o momento.

O episódio ocorre em um contexto de tensões diplomáticas entre Brasil e EUA, agravado por declarações de figuras políticas brasileiras. Em nota recente, o Itamaraty criticou abertamente o pedido de Flávio Bolsonaro para uma audiência nos EUA, classificando a iniciativa como uma tentativa de “traidores da pátria” de prejudicar o país. A crise também expõe rachas internos no Partido Liberal (PL), onde Flávio foi nomeado porta-voz pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em meio a disputas com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sobre a estratégia para as eleições de 2026.

Pesquisas de opinião recentes, como a da Quaest, indicam que a maioria dos brasileiros responsabiliza Flávio Bolsonaro pelo tarifaço, enquanto o presidente Lula ganha apoio na opinião pública. A crise familiar no PL, com Flávio afirmando estar “aberto a conversar” com Michelle, reflete a dificuldade de articulação da oposição em um momento de fragilidade diplomática. Enquanto isso, o governo brasileiro rejeita as críticas e insiste que as negociações com os EUA continuam, mas sem previsão de acordo.

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