O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai focar em teorias da conspiração sobre eleições em um pronunciamento à nação que ele fará na noite desta quinta-feira (16), segundo a agência de notícias Associated Press (AP). O discurso, marcado para as 22h (de Brasília), ocorre a quatro meses das eleições parlamentares de 2026, nas quais o Partido Republicano enfrenta dificuldades. Trump deu apenas detalhes vagos sobre o conteúdo, mas, quando questionado por um repórter se trataria de “urnas eletrônicas e integridade eleitoral”, o líder norte-americano disse que abordaria “esse assunto” e que traria “notícias realmente, realmente grandes” sobre o tema.
A agência Reuters já havia adiantado no início desta semana que a fala de Trump também contará ataques às urnas eletrônicas e afirmações, sem apresentar provas, de que houve uma fraude eleitoral em larga escala na eleição de 2020, que o atual presidente perdeu para o democrata Joe Biden. Democratas alertaram nesta semana que Trump estaria tentando ressuscitar falsas alegações de eleições anteriores roubadas para deslegitimar as próximas eleições legislativas de 2026, nas quais o Partido Republicano enfrenta dificuldades.
Panorama político e impacto institucional
A fixação de Trump com sua derrota para Biden e com as teorias sobre o pleito já amplamente desmentidas continuam sendo assuntos que ele menciona regularmente em suas falas públicas desde que retornou à Casa Branca, em 2025. Porém, elevar esses tópicos profundamente políticos e conspiratórios a um pronunciamento presidencial em horário nobre destaca até que ponto Trump tem usado seu segundo mandato para romper normas e se concentrar em antigas queixas. Assim como no Brasil, pronunciamentos presidenciais em horário nobre nos EUA normalmente são reservados para grandes marcos ou eventos de importância nacional. A última vez que Trump fez um pronunciamento desse tipo foi em abril, quando ele disse que o país atingiria seus objetivos na guerra no Irã “muito em breve”. O conflito, no entanto, ainda está ocorrendo.
Rejeição judicial e ampliação da supervisão federal
A alegação de que houve fraude em 2020 já foi rejeitada por tribunais, auditorias eleitorais e pelo Departamento de Justiça durante o primeiro mandato de Trump, que não encontraram evidências de fraude, incluindo qualquer manipulação de urnas eletrônicas. Na época, a agência federal de segurança cibernética classificou a votação como “a mais segura da história dos Estados Unidos”. Desde que voltou à Casa Branca, o governo Trump tem ampliado a supervisão federal sobre a administração das eleições e proposto mudanças no sistema de votação. Especialistas em direito eleitoral alertam que essas medidas podem minar a confiança pública no processo democrático, especialmente em um contexto de polarização crescente.
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