Júri Popular Revela Voo de Reconhecimento de Acusado Antes de Execução de Bicheiro Fernando Iggnácio

O júri popular contra os acusados de matar o bicheiro Fernando Iggnácio, em 2020, trouxe à tona um detalhe revelador: o delegado Moysés Santana afirmou que Pedro Emanuel D’onofre Cordeiro realizou um voo de helicóptero para “reconhecimento” do local três dias antes do homicídio. O julgamento começou por volta das 12h no 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, onde os irmãos Pedro Emanuel D’onofre Andrade e Otto Samuel D’onofre Andrade respondem por homicídio triplamente qualificado — motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de emboscada que impossibilitou a defesa da vítima.

O crime ocorreu em 10 de novembro de 2020, quando Fernando Iggnácio chegava ao estacionamento da empresa Heli-Rio, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio, em seu veículo Ranger preto. Segundo as investigações, Pedro esteve na mesma empresa no dia 7 de novembro, acompanhado de uma mulher, e pagou um voo panorâmico em dinheiro, no valor entre R$ 1,3 mil e R$ 1,5 mil, conforme depoimentos do coordenador de voo da Heli-Rio e de uma atendente. A rota do voo era idêntica à que Fernando Iggnácio faria três dias depois: de Ilha Grande, onde tinha casa de veraneio, até o Rio de Janeiro.

“Me recordo do Pedro ter ido fazer esse reconhecimento antes”, declarou o delegado Moysés Santana, titular da Delegacia de Homicídios na época do crime, que foi a primeira testemunha ouvida no júri popular. Ele detalhou que, durante o processo, um dos depoimentos indicou que Pedro passou pelo estacionamento onde o carro de Fernando Iggnácio já estava estacionado, aguardando seu retorno em 10 de novembro. Nas contas de nuvem digital de Pedro, a Polícia Civil encontrou imagens do voo, confirmando que uma das fotos tinha data de 7 de novembro de 2020.

Investigação de Sete Dias e Panorama do Caso

O delegado também descreveu o início da investigação que levou às prisões de Pedro e Otto, além de Rodrigo Silva das Neves, condenado em abril pelo crime, e Ygor Rodrigues, o Ygor Farofa, que morreu em 2022 durante um confronto de criminosos no Recreio dos Bandeirantes. Segundo Moysés Santana, foi realizado um trabalho ininterrupto de sete dias para obter imagens que levassem ao veículo utilizado no crime e seus ocupantes. “Foram quase 45 quilômetros de deslocamento do veículo captando imagens de câmeras que, no sétimo dia, nos permitiu chegar ao destino final dos autores, em um condomínio em Campo Grande”, afirmou.

O caso expõe a violência histórica ligada ao jogo do bicho no Rio de Janeiro, onde disputas por territórios e poder frequentemente resultam em execuções. Fernando Iggnácio, genro do contraventor Castor de Andrade, foi morto dentro de um heliporto na Zona Oeste, evidenciando a guerra entre facções do jogo ilegal. O julgamento dos irmãos D’onofre Andrade ocorre em meio a um contexto de impunidade e violência sistêmica, com o sistema de justiça buscando responsabilizar os envolvidos em um crime que chocou a cidade.

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