O ex-ministro Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (16), em reação ao novo tarifaço dos Estados Unidos, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quer privatizar o Pix e cobrou do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) uma autocrítica em relação ao governo de Donald Trump. A declaração ocorre em meio a tensões comerciais entre Brasil e EUA, após Washington anunciar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, incluindo etanol e sistemas de pagamento digital.
O tarifaço americano, anunciado na quarta-feira (15), elevou a alíquota sobre importações brasileiras de 10% para 25%, afetando setores estratégicos como o agronegócio e a tecnologia financeira. A medida foi justificada por uma investigação comercial sobre o Pix e o etanol, que apontou supostas práticas desleais de comércio por parte do Brasil. Haddad, que foi ministro da Fazenda no governo Lula, classificou a ação como protecionista e desproporcional.
Panorama político e reações
A fala de Haddad insere-se em um contexto de polarização política no Brasil, onde o sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado pelo Banco Central em 2020, tornou-se alvo de debates sobre sua gestão e possível privatização. O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, já defendeu em discursos anteriores a abertura do Pix à iniciativa privada, o que Haddad agora critica como uma tentativa de desmonte de um serviço público bem-sucedido.
O governador Tarcísio de Freitas, aliado de Bolsonaro e ex-ministro de Infraestrutura, é pressionado a se posicionar sobre o tarifaço e a postura de Trump, que já foi elogiado por setores da direita brasileira. Haddad cobrou uma autocrítica de Tarcísio, sugerindo que o governador deveria reconhecer os riscos de uma aliança com políticas comerciais agressivas dos EUA. Até o momento, Tarcísio não se manifestou oficialmente sobre o caso.
O tarifaço também gerou reações de entidades empresariais e do governo federal, que estuda medidas de retaliação. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou para o impacto nas exportações brasileiras, que somaram US$ 35 bilhões em 2025. O Pix, por sua vez, movimentou mais de R$ 10 trilhões no ano passado, sendo um dos sistemas mais populares do mundo.
Especialistas apontam que a privatização do Pix poderia aumentar custos para consumidores e pequenos negócios, além de reduzir a capilaridade do serviço. A declaração de Haddad reacende o debate sobre o papel do Estado na regulação de infraestruturas digitais e a influência de interesses privados no setor.
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