O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ministros nesta quinta-feira (16) para discutir a posição do governo sobre a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o que vem sendo chamado de novo ‘tarifaço’. A reunião, realizada no Palácio do Planalto, contou com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e de outros integrantes do primeiro escalão, conforme apurou a reportagem.
A medida americana, anunciada pela administração de Donald Trump, representa um duro golpe nas relações comerciais bilaterais e pode afetar setores estratégicos da economia brasileira, como siderurgia, alumínio e agronegócio. O tarifaço de 25% atinge diretamente a competitividade dos produtos nacionais no mercado dos EUA, que é um dos principais destinos das exportações brasileiras. Especialistas estimam que a decisão pode reduzir em até US$ 5 bilhões o fluxo de comércio entre os dois países no curto prazo.
Panorama político e reações
A convocação da reunião ocorre em meio a um cenário de tensão diplomática e econômica global. O governo brasileiro já vinha monitorando os desdobramentos da política protecionista de Trump, que também impôs tarifas sobre aço e alumínio de outros países. A decisão de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA, anunciada na semana passada, adicionou mais um elemento de complexidade à agenda bilateral.
No âmbito interno, a reunião no Planalto busca articular uma resposta coordenada entre os ministérios da Fazenda, Casa Civil, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O governo avalia medidas de retaliação comercial, como a elevação de tarifas sobre produtos americanos, e a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, o presidente Lula convocou o Conselhão para discutir soberania e defesa do multilateralismo, em um movimento que busca ampliar o debate para a sociedade civil e setores produtivos.
A crise gerada pelo tarifaço também reacendeu discussões sobre a dependência externa do Brasil e a necessidade de diversificar parcerias comerciais. Enquanto isso, no Congresso, a oposição critica a condução da política externa, mas o governo defende que a reunião de emergência demonstra agilidade na defesa dos interesses nacionais. O ministro do Trabalho, em meio a outras pautas, defendeu a substituição de Jaques Wagner na liderança do Senado, sinalizando instabilidade na base aliada.
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