Polícia Federal prende suspeito de devastar área equivalente a 800 campos de futebol na Caatinga alagoana

A Polícia Federal prendeu preventivamente, nesta quinta-feira (16), um homem apontado pelo Ministério Público de Alagoas (MP-AL) como responsável pela maior devastação ilegal da Caatinga no estado. O nome do investigado não foi divulgado. A prisão foi decretada pela 17ª Vara Criminal da Capital após pedido do MP-AL, por meio do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente (NUMA) e da Promotoria de Justiça de Traipu. A investigação é resultado de ações da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco, coordenada pelo MP-AL e pelo Ministério Público Federal (MPF), com participação do Ibama, Instituto do Meio Ambiente (IMA), Batalhão de Polícia Ambiental e Polícia Científica.

Segundo a investigação, o suspeito desmatou mais de mil hectares de vegetação nativa — uma área equivalente a cerca de 800 campos de futebol. A Justiça também determinou o bloqueio de bens para garantir a reparação dos danos ambientais. O MP-AL baseou o pedido de prisão na reincidência do suspeito, que ignorava as punições aplicadas pelos órgãos ambientais e tratava as multas como parte dos custos da atividade ilegal.

Esquema organizado de desmatamento

De acordo com o MP-AL, perícias e imagens de satélite mostram que o investigado mantinha um esquema organizado de desmatamento. Ele utilizava máquinas pesadas para derrubar grandes áreas de vegetação nativa e ateava fogo nos restos da mata para preparar o terreno para exploração econômica. Além da destruição da Caatinga, os peritos identificaram o descarte irregular de embalagens de agrotóxicos altamente tóxicos, o que pode ter contaminado o solo e os recursos hídricos da região. Para o Ministério Público, a prática também configura crime de poluição.

Segundo o coordenador do NUMA, promotor Kléber Valadares, o investigado continuou desmatando mesmo após receber multas, embargos e determinações para interromper as atividades. “O investigado utilizava maquinário pesado para realizar cortes rasos na vegetação nativa e empregava fogo para eliminar os remanescentes florestais. Além disso, o descarte irregular de agrotóxicos colocou em risco o solo, os recursos hídricos e a saúde da população”, afirmou o promotor.

Reincidência e consequências legais

Na esfera cível, o investigado responde a duas ações que pedem a recuperação das áreas degradadas e o pagamento de indenizações pelos danos ambientais. A Justiça já determinou o bloqueio de bens para garantir o cumprimento dessas medidas. Ainda segundo o Ministério Público, o investigado possui um histórico de desrespeito às normas ambientais, o que motivou a prisão preventiva como forma de interromper a continuidade dos crimes.

O caso reforça a gravidade da destruição da Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e um dos mais ameaçados do país. A ação integrada entre órgãos federais e estaduais demonstra o esforço para coibir crimes ambientais que afetam não apenas a biodiversidade, mas também comunidades locais que dependem dos recursos naturais. A prisão e o bloqueio de bens representam um passo importante para responsabilizar os infratores e buscar a reparação dos danos causados ao meio ambiente.

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