O governo brasileiro reagiu com firmeza ao novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos contra produtos do Brasil. Em declaração ao Jornal Extra de Alagoas, Renan Filho afirmou que o país não ficará passivo diante da medida protecionista e que “vamos taxar também” os produtos norte-americanos, em uma clara sinalização de retaliação comercial. A declaração ocorre em um momento de tensão nas relações bilaterais, com o governo de Joe Biden justificando a sobretaxa com base em supostas práticas desleais de comércio, incluindo críticas ao sistema de pagamentos instantâneos PIX, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao desmatamento na Amazônia — argumentos que o Palácio do Planalto rejeita veementemente.
A posição de Renan Filho ecoa a insatisfação de diversos setores da economia brasileira, que veem na medida um ataque direto à competitividade nacional. O tarifaço de 25% atinge principalmente produtos siderúrgicos, agrícolas e manufaturados, setores que juntos respondem por bilhões de dólares em exportações anuais. Especialistas apontam que a medida pode elevar o custo de insumos para a indústria brasileira e reduzir o superávit comercial com os EUA, que em 2024 foi de US$ 12 bilhões. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já estima perdas de até R$ 15 bilhões no curto prazo, caso a retaliação não seja implementada de forma estratégica.
O panorama político se complexifica com a proximidade das eleições de 2026. Enquanto o governo Lula busca equilibrar a defesa dos interesses nacionais com a manutenção de boas relações com Washington, a oposição critica a gestão da crise e pede medidas mais duras. No Congresso, lideranças partidárias articulam a aprovação de uma lei de reciprocidade comercial, que permitiria ao Executivo impor tarifas equivalentes sem necessidade de nova autorização legislativa. A medida, apoiada por Renan Filho, tramita em regime de urgência e deve ser votada nas próximas semanas.
Paralelamente, o governo federal intensificou a interlocução com o setor produtivo para mitigar os efeitos imediatos. O Ministério da Economia estuda a ampliação de linhas de crédito subsidiado para exportadores afetados, enquanto o Itamaraty busca apoio de parceiros do Mercosul e da Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a legalidade da sobretaxa. A decisão dos EUA também reacende o debate sobre a dependência brasileira de mercados externos e a necessidade de diversificação de parceiros comerciais, com destaque para a China e a União Europeia.
Para especialistas em comércio internacional, a retaliação anunciada por Renan Filho é um movimento arriscado, mas necessário para sinalizar que o Brasil não aceitará imposições unilaterais. “A medida dos EUA é claramente protecionista e viola as regras da OMC. O Brasil tem todo o direito de retaliar, mas precisa fazer isso de forma cirúrgica para não prejudicar ainda mais a economia”, avalia a economista Maria Clara Santos, da Fundação Getulio Vargas. Enquanto isso, a população acompanha com apreensão os desdobramentos, temendo impactos na inflação e no emprego, especialmente nos setores mais expostos ao comércio bilateral.
Fonte: ver noticia original

