O governo brasileiro afirmou, nesta quarta-feira (16), que o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atinge 18% das exportações brasileiras para o mercado americano. Em resposta, o Executivo anunciou que vai lançar um programa de apoio às empresas afetadas e declarou que pode adotar a Lei da Reciprocidade, instrumento aprovado por unanimidade pelo Congresso Nacional em abril de 2025, durante as primeiras ameaças de Trump de taxar produtos brasileiros.
A primeira manifestação oficial do governo brasileiro ocorreu ainda na madrugada, logo após o anúncio dos Estados Unidos. O documento, também publicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma rede social, classifica o dia como “um marco lastimável” nas relações bilaterais. A nota afirma que o Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio e que atuou ininterruptamente junto aos Estados Unidos, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio.
O governo brasileiro declarou que seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros, e que continuará diversificando parcerias comerciais e abrindo novos mercados para os produtos nacionais. Além disso, anunciou que vai iniciar imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, que permite a imposição de tarifas adicionais ou sobretaxas a bens ou serviços importados do país que impôs barreiras comerciais, e a possibilidade de o Brasil deixar de cumprir termos de acordos comerciais já existentes.
Panorama político e reações
A resposta do governo brasileiro também atribuiu a imposição das novas tarifas a um enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. A nota chamou de “falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros” e concluiu que “proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências”.
Outros pré-candidatos à presidência da República também se manifestaram. O senador Flávio Bolsonaro, do PL, culpou o atual governo: “O presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula coloco”, afirmou, em trecho de sua declaração.
O tarifaço de Trump sobre o Brasil, que atinge 18% das exportações brasileiras para os EUA, tem impacto restrito e expõe limites do protecionismo americano, segundo economistas. O governo brasileiro reage à medida classificando-a como “injusta e descabida”, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou a privatização do Pix e cobrou autocrítica do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, após o tarifaço. O prazo para a implementação das tarifas e possíveis exceções expira nesta quarta-feira, e o governo Lula aguarda os próximos passos dos EUA.
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