O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de autorização para que o presidente da Argentina, Javier Milei, visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período de prisão domiciliar. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (2), mantém as restrições impostas ao ex-mandatário e reforça o veto a encontros com autoridades estrangeiras sem prévia autorização judicial.
O pedido havia sido apresentado pela defesa de Bolsonaro, que solicitou ao STF a permissão para receber Milei em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar desde fevereiro deste ano. A solicitação foi motivada por uma suposta agenda diplomática, mas Moraes entendeu que o encontro não se enquadra nas exceções previstas nas medidas cautelares.
Panorama político e jurídico
A negativa ocorre em meio a um cenário de tensão entre os Poderes e de questionamentos sobre os limites da prisão domiciliar de Bolsonaro. O ex-presidente foi preso preventivamente em decorrência de investigações que apuram supostas tentativas de desestabilização do regime democrático. Desde então, Moraes tem endurecido progressivamente as restrições, incluindo a proibição de visitas de políticos e a vedação a manifestações político-eleitorais até outubro deste ano.
A visita de Milei, que assumiu a presidência argentina em dezembro de 2023, era vista por aliados de Bolsonaro como um gesto de apoio internacional. No entanto, a decisão de Moraes sinaliza que o STF não abrirá exceções para encontros que possam ser interpretados como tentativas de influenciar o cenário político nacional ou de burlar as medidas cautelares.
Especialistas apontam que a manutenção das restrições a Bolsonaro reflete a preocupação do Judiciário com a possibilidade de o ex-presidente usar sua influência para coordenar ações políticas mesmo durante o cumprimento da pena. A decisão também reforça o entendimento de que a prisão domiciliar não confere ao réu o direito de receber visitas de autoridades estrangeiras sem autorização expressa do juízo responsável.
Até o momento, nem a defesa de Bolsonaro nem o governo argentino se manifestaram oficialmente sobre a negativa. A expectativa é de que novos recursos sejam apresentados, mas a tendência é de que o STF mantenha a posição de não flexibilizar as medidas cautelares impostas ao ex-presidente.
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