Setores da indústria nacional afetados pela nova rodada de tarifas americanas pediram ao governo Lula (PT) que aplique cotas de importação a produtos asiáticos como calçados, pneus e móveis, afirma o presidente-executivo da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Haroldo Ferreira. A medida é apresentada como um remédio para mitigar os impactos do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, que elevou em 25% as tarifas sobre produtos brasileiros, conforme investigação comercial envolvendo o Pix e o etanol.
As negociações ocorrem em meio a um cenário de escalada protecionista global. A nova tarifa americana, anunciada em 18 de julho de 2026, atinge diretamente a competitividade de setores como calçados, que já enfrentam forte concorrência asiática. Haroldo Ferreira detalhou que a proposta de cotas visa limitar a entrada de produtos de países como China e Vietnã, que têm dominado o mercado com preços baixos e produção em larga escala.
O pedido reflete uma estratégia de defesa comercial que envolve não apenas a indústria calçadista, mas também os segmentos de pneus e móveis, que buscam no governo federal uma resposta coordenada. A imposição de cotas, se aprovada, funcionaria como uma barreira não tarifária, reduzindo a pressão sobre a produção nacional e preservando empregos em um momento de incertezas econômicas.
O panorama político e econômico é complexo. De um lado, o governo Lula enfrenta o desafio de equilibrar as relações com os Estados Unidos, principal parceiro comercial do Brasil, sem comprometer acordos multilaterais. De outro, a indústria nacional pressiona por medidas que evitem uma enxurrada de importados asiáticos, que poderiam agravar o déficit comercial e desestimular a produção local. A discussão ocorre em paralelo às investigações americanas sobre práticas comerciais brasileiras, que já resultaram na tarifa de 25%.
Especialistas apontam que a adoção de cotas pode gerar tensões diplomáticas com países asiáticos, especialmente a China, maior parceiro comercial do Brasil. No entanto, para os setores afetados, a medida é vista como urgente para evitar demissões e perda de competitividade. Haroldo Ferreira destacou que a Abicalçados já iniciou diálogos com o Ministério da Economia e outros órgãos governamentais para detalhar a proposta.
Enquanto isso, o governo brasileiro avalia as implicações da medida, que pode incluir desde cotas temporárias até acordos bilaterais com os países asiáticos. A decisão final dependerá de análises técnicas e políticas, mas a pressão da indústria sinaliza que o tarifaço de Trump já está redesenhando as estratégias comerciais do Brasil.
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