Pré-candidato à Presidência propõe subir a rampa do Planalto com condenados anistiados pelo 8 de Janeiro

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou, durante evento do Partido Liberal (PL) no Espírito Santo, que pretende subir a rampa do Palácio do Planalto acompanhado de pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro de 2023, caso sejam anistiadas. A declaração foi feita em meio a críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem o parlamentar acusou de conduzir processos políticos. A fala ocorre em um contexto de intensa polarização e de articulações para as eleições de 2026, quando o nome de Flávio Bolsonaro surge como uma das principais alternativas da direita, embora enfrente resistências internas e externas.

Durante o discurso, Flávio Bolsonaro defendeu a anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro, classificando as punições como excessivas e politicamente motivadas. “Quero subir a rampa do Planalto com aqueles que foram condenados injustamente, para mostrar que a justiça no Brasil é seletiva”, declarou. O senador também criticou duramente as decisões de Alexandre de Moraes, afirmando que o ministro age como “um inquisidor” e que suas medidas violam garantias constitucionais. A fala ecoa um discurso recorrente entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que veem no STF um alvo de oposição política.

Panorama político e reações

A declaração de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de fragmentação no campo conservador. Pesquisas recentes, como a do instituto Quaest, mostram o ex-presidente Lula com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 28% no primeiro turno, enquanto 11% dos eleitores se declaram indecisos. O cenário é agravado por crises internas no bolsonarismo, como a carta de Jair Bolsonaro a Flávio, que expôs tensões familiares e fragilidade eleitoral, conforme avaliação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Além disso, a Federação União Progressista decidiu não apoiar Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026, indicando que a direita busca alternativas ao nome do senador.

Enquanto isso, o pré-candidato à Presidência propõe classificar facções criminosas como organizações terroristas, uma medida que busca ampliar seu apelo entre eleitores preocupados com a segurança pública. No entanto, a proposta de anistia para condenados pelo 8 de Janeiro pode gerar reações negativas entre setores moderados e do Judiciário, que veem nos atos uma tentativa de golpe de Estado. A declaração de Flávio Bolsonaro também ocorre em meio à oficialização de seu papel como porta-voz e pré-candidato pelo PL, em meio a uma crise familiar que expôs divisões no partido.

O evento no Espírito Santo reuniu lideranças locais do PL e serviu como palco para Flávio Bolsonaro reforçar sua plataforma, que mescla críticas ao STF, defesa de pautas conservadoras e promessas de revisão de condenações políticas. A fala, no entanto, pode aprofundar o isolamento do senador entre partidos de centro e centro-direita, que já sinalizaram resistência a uma candidatura considerada radical. Enquanto isso, o governo Lula monitora os desdobramentos, vendo na fragmentação da oposição uma oportunidade para consolidar sua base eleitoral.

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