O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou neste sábado (18) que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pratica advocacia administrativa e que a esposa do magistrado recebe dinheiro “para fingir que está advogando”. A declaração foi feita em evento político e rapidamente repercutiu nos meios jurídicos e políticos, reacendendo o debate sobre os limites entre as funções públicas e a atuação privada de familiares de magistrados.
Na fala, Flávio Bolsonaro não apresentou provas concretas para as acusações, mas afirmou que a situação configura um desvio ético. “O ministro faz advocacia administrativa, e a mulher dele ganha para fingir que está advogando”, declarou o senador, sem especificar valores ou contratos. A afirmação ocorre em um contexto de crescente tensão entre o Legislativo e o Judiciário, especialmente após decisões recentes do STF que afetaram diretamente aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A acusação de advocacia administrativa refere-se à suposta utilização de influência ou cargo público para beneficiar interesses privados, prática vedada a agentes públicos. No caso de ministros do STF, a legislação impõe rígidas regras de incompatibilidade e quarentena para evitar conflitos de interesses. A menção aos honorários da esposa de Alexandre de Moraes, por sua vez, levanta questionamentos sobre a transparência e a origem de rendimentos de familiares de autoridades do Judiciário.
O episódio insere-se em um panorama político mais amplo, marcado por embates entre o governo federal e o STF, especialmente em temas como investigações contra aliados do ex-presidente e a regulação das redes sociais. A declaração de Flávio Bolsonaro também ocorre às vésperas de sua pré-candidatura à Presidência, indicando uma estratégia de polarização e crítica ao Judiciário como forma de mobilizar sua base eleitoral.
Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou publicamente sobre as acusações. A assessoria do STF informou que não comentaria declarações de parlamentares. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e entidades de magistrados também não emitiram notas oficiais sobre o caso. A polêmica deve ser acompanhada de perto nos próximos dias, especialmente diante da possibilidade de novas investigações ou pedidos de esclarecimento por parte do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
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