De estoque esquecido a faturamento de R$ 80 mil: brechó de óculos vira negócio global

Em Brasília, um empreendedor transformou armações esquecidas no estoque da ótica da família em um negócio especializado em peças vintage, que hoje fatura cerca de R$ 80 mil por mês, conta com loja física, 20 pontos de venda e clientes internacionais. O que começou como um garimpo informal em feiras de brechó se consolidou como uma empresa que mistura moda, sustentabilidade e memória afetiva, com preços que variam entre R$ 30 e R$ 2 mil.

O fundador do Brechó do Óculos, Mayton Campelo, cresceu dentro da ótica dos pais e percebeu que centenas de armações antigas permaneciam guardadas havia anos, sem qualquer perspectiva de venda. Em vez de enxergar mercadoria parada, viu uma oportunidade de negócio. Em 2011, começou a vender algumas peças em feiras de brechó, de maneira informal. Aos poucos, criou uma marca, lançou um e-commerce e expandiu a operação para lojas colaborativas em diferentes cidades.

O crescimento aconteceu de forma gradual. Sem querer assumir altos custos fixos no início, Mayton Campelo preferiu validar o modelo antes de investir em uma loja física. A estratégia deu resultado. Hoje, além da unidade em Brasília, a marca está presente em 20 pontos de venda e também comercializa peças em Portugal.

Mas o negócio deixou de depender apenas do estoque herdado da família. Atualmente, boa parte do acervo é formada por peças garimpadas em viagens pelo Brasil e pelo exterior. Feiras de antiguidades e mercados de usados em países como Portugal, França e Turquia fazem parte do roteiro do empreendedor, que identifica a origem de diversos modelos vendidos na loja.

As armações passam ainda por um processo de limpeza, restauração e recuperação antes de serem colocadas à venda. Algumas exigem apenas higienização; outras precisam de reparos mais complexos para voltar ao mercado em boas condições. O catálogo reúne modelos das décadas de 1960 até os anos 2000, com preços que variam entre R$ 30 e R$ 2 mil. Segundo Mayton Campelo, o diferencial está justamente na exclusividade das peças, muitas delas fora de linha e impossíveis de encontrar em óticas tradicionais.

Apesar do foco no estilo retrô, o público é bastante diverso. Além de consumidores interessados em moda vintage, a marca atende crianças, clientes que buscam armações para o dia a dia, profissionais do audiovisual e produções de moda. A proposta também conquistou consumidores que valorizam a economia circular. Para clientes, comprar uma peça antiga significa preservar objetos de qualidade e dar continuidade à história de um produto que poderia ter sido descartado.

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