Golpe do doce na Expocrato: clientes pagam até R$ 330 por porções e Decon flagra irregularidades em barraca mineira

Constrangimento, surpresa e revolta marcam os relatos de clientes que pagaram até R$ 330 por doces em um stand da Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), no Cariri do Ceará. A polêmica gerou uma série de reclamações e levou o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), do Ministério Público do Ceará (MPCE), a realizar fiscalização no local. Do outro lado, a empresa nega fraude e alega que a venda é feita por peso e que um pedaço já cortado não pode ser reaproveitado. O caso acende alerta sobre práticas abusivas em eventos de grande porte e expõe vulnerabilidade de consumidores diante de informações insuficientes sobre preços e porções.

O g1 ouviu relato de cinco clientes que foram pegos de surpresa com o valor pago nos produtos vendidos pela Doceria Deleites, barraca mineira participante da Expocrato. A insatisfação gerou, inclusive, a fiscalização do Decon, que verificou que os preços não estavam exibidos de forma clara e os produtos não tinham indicação de tamanho ou peso, fazendo com que os clientes comprassem as porções dos doces sem saber quanto custariam. Caso o estabelecimento não faça as adequações exigidas pelo Decon, poderá ser interditado.

Constrangimento na hora de pagar

Uma das clientes que reclamou dos preços é Priscila Justino, de 34 anos, que saiu da cidade pernambucana de Granito e viajou 125 km até o Crato. Ao pedir 100 gramas de um dos produtos, pensando em pagar R$ 19,90, como estava informado, Priscila foi avisada pelo vendedor que não tinha como ele saber o valor do pedaço. A mulher comprou doces de maracujá, ‘quebra-queixo’ e abacaxi. “Eu pedi para ele cortar ‘dois dedos’. Em cima, ele cortou da espessura de ‘dois dedos’. E disse: ‘Depois que corta, não pode voltar atrás’. Mas ele aprofundou a espátula. Eu comecei a ficar indignada. Eu disse ‘moço, saiu muito’, mas tudo bem. Eu pedi outro doce. E ele fez da mesma forma.” Priscila lembra que chegou ao caixa e já era outro funcionário da barraca. O homem a informou que ela teria de levar o doce de qualquer forma. “Ele começou a gritar ‘a senhora vai levar, sim. Partiu, tem de levar. É self-service.'” A cliente lembra que, toda vez que tirava o doce da sacola, o vendedor colocava de volta em cima da balança.

A Doceria Deleites negou que o caso se trata de golpe ou enganação. Conforme a empresa, após retirar o pedaço do doce em tamanho definido pelo cliente, aquela parte do produto não pode mais ser aproveitada. A empresa alega que a venda é por peso e que o cliente tem liberdade para escolher o tamanho da porção, mas que, uma vez cortado, o doce não pode ser reaproveitado.

O caso ganhou repercussão nacional e levanta questionamentos sobre a transparência nas relações de consumo em eventos temporários. A fiscalização do Decon aponta que a falta de informações claras sobre preços e pesos configura prática abusiva, conforme o Código de Defesa do Consumidor. A situação também expõe a vulnerabilidade de consumidores que, em meio a eventos de grande porte, podem ser pressionados a pagar valores muito acima do esperado.

O panorama político e social do Cariri cearense, região historicamente marcada por desigualdades, reforça a importância de órgãos de defesa do consumidor atuarem de forma preventiva e repressiva. A atuação do Decon, nesse caso, serve como alerta para outros estabelecimentos que participam de feiras e exposições, mostrando que a fiscalização pode ocorrer a qualquer momento e que práticas abusivas não serão toleradas.

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