Os preços do petróleo subiram neste domingo (19) e atingiram o maior patamar desde junho de 2026, com o barril do tipo Brent ultrapassando os US$ 90 (cerca de R$ 460,53) na abertura dos mercados de negociação. A escalada é impulsionada pelos temores em relação ao tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, após o Irã bloquear a passagem em retaliação a ataques dos Estados Unidos. O conflito, que já dura nove dias consecutivos de bombardeios, elevou o risco de interrupção no fornecimento global da commodity e reacendeu preocupações com inflação, juros e crescimento econômico em diversos países, incluindo o Brasil.
Na sexta-feira (17), o barril do Brent, referência internacional da commodity, avançou 2,86% e chegou a ser cotado a US$ 86,64. Com isso, acumulava ganhos de mais de 13% na semana até aquele momento e caminhava para registrar a maior alta semanal desde abril, quando os preços da commodity subiram 16,5% na semana encerrada em 24 de abril. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, subia 3,15%, a US$ 81,44 o barril, acumulando ganhos de 12,4% na semana até sexta.
Conflito no Estreito de Ormuz e ataques dos EUA ao Irã
O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã ocorreu como retaliação aos ataques realizados pelos EUA nos últimos dias. Em meio à escalada das tensões, o presidente americano, Donald Trump, também retomou restrições às embarcações iranianas que utilizam o estreito. Neste domingo, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) anunciou uma nova onda de ataques contra o Irã, pelo nono dia consecutivo. Os ataques ocorrem após a morte de três militares americanos no conflito nos últimos dias.
Segundo o jornal The New York Times, os EUA iniciaram o envio de mais aviões de guerra para o Oriente Médio, o que indica que o conflito pode se intensificar em breve. Essa escalada ocorre depois que dois militares americanos morreram em um ataque do Irã a uma base dos EUA na Jordânia, disse o Centcom no sábado (18). As mortes teriam ocorrido na sexta-feira (17). No sábado, um terceiro militar morreu no norte do Iraque após a detonação controlada de uma munição não detonada.
Anteriormente, Trump chegou a considerar a cobrança de um pedágio de 20% sobre cargas transportadas por navios que circulassem pelo estreito, mas recuou e disse que buscaria acordos comerciais e de investimento com ‘vários países’ do Golfo Pérsico.
Impactos globais e reflexos no Brasil
A escalada do conflito voltou a aumentar as preocupações com possíveis impactos sobre a oferta global de petróleo, em um momento de estoques reduzidos e demanda elevada. O temor dos investidores é que a alta do petróleo continue a pressionar os preços dos combustíveis e contribua para uma aceleração da inflação global, com reflexos sobre os juros e o crescimento econômico de diversos países.
No Brasil, o aumento do petróleo pode impactar diretamente os preços da gasolina, diesel e gás de cozinha, além de pressionar a inflação e o custo de vida. A alta da commodity também pode afetar as contas externas e a arrecadação de royalties, que em maio atingiram recorde de R$ 8 bilhões, impulsionados pelo conflito no Irã. A tensão comercial com os EUA e a volatilidade cambial, com o dólar oscilando acima de R$ 5,00, ampliam os riscos para a economia brasileira, que já enfrenta ruídos políticos internos e incertezas sobre o crescimento.
Fonte: ver noticia original

[…] Com a tensão, o preço do barril já disparou e atingiu o maior valor desde junho, como mostrou o aumento do petróleo nas últimas […]