EUA completam nona noite consecutiva de bombardeios contra alvos militares do Irã

Os Estados Unidos concluíram a nona noite consecutiva de ataques contra alvos militares do Irã, conforme comunicado do Comando Central dos EUA (Centcom) divulgado neste domingo. A ofensiva, que já dura mais de uma semana, tem como alvo centros de comando militar iranianos, instalações de defesa aérea e vigilância costeira, capacidades marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones, além de redes de comunicação. A escalada militar ocorre em meio a tensões crescentes no Oriente Médio, com impactos diretos sobre a segurança regional e o equilíbrio geopolítico global.

Segundo o Centcom, os bombardeios noturnos visam degradar a capacidade do Irã de projetar poder militar na região, especialmente contra forças dos EUA e aliados. A nona noite de ataques incluiu a destruição de baterias de mísseis antiaéreos, centros de controle de drones e instalações de radar costeiro. O comando militar americano não detalhou baixas ou danos colaterais, mas afirmou que as operações continuarão até que as ameaças iranianas sejam neutralizadas.

Panorama da escalada militar

A série de ataques começou após o lançamento de drones e mísseis iranianos contra bases dos EUA no Iraque e na Síria, em retaliação a um ataque israelense a instalações diplomáticas iranianas em Damasco. Desde então, os EUA intensificaram a campanha aérea, com bombardeios que já atingiram mais de 200 alvos em território iraniano, segundo fontes militares. A operação, batizada de ‘Escudo do Deserto’, envolve caças F-15, F-16 e bombardeiros B-52, além de drones armados.

O governo iraniano, por sua vez, prometeu responder com ‘força e determinação’ aos ataques. O Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, denunciando a ofensiva como ‘violação flagrante do direito internacional’. Enquanto isso, a Guarda Revolucionária Iraniana anunciou a realização de exercícios militares no Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo global.

Impactos regionais e globais

A escalada militar tem gerado preocupação em todo o Oriente Médio. O governo do Iraque, que abriga tropas americanas e milícias apoiadas pelo Irã, pediu moderação a ambas as partes. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, aliados dos EUA, expressaram temores de que o conflito possa se espalhar para seus territórios. O Catar, mediador em crises anteriores, ofereceu-se para facilitar negociações de cessar-fogo.

Economicamente, os ataques já provocaram alta de 8% no preço do barril de petróleo Brent, que ultrapassou os US$ 95, e geraram volatilidade nos mercados financeiros globais. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) convocou uma reunião de emergência para discutir a estabilidade dos preços e a segurança das rotas de navegação no Golfo Pérsico.

A comunidade internacional está dividida. Enquanto aliados como Reino Unido e França apoiaram os ataques como ‘medidas legítimas de autodefesa’, Rússia e China condenaram a ofensiva e pediram o fim imediato das hostilidades. A União Europeia, por meio do alto representante para Política Externa, Josep Borrell, instou ambas as partes a ‘evitar uma guerra regional de consequências imprevisíveis’.

Analistas apontam que a nona noite de bombardeios indica que os EUA estão dispostos a sustentar uma campanha prolongada, o que pode levar a um confronto direto com o Irã. A situação permanece volátil, com riscos de escalada para um conflito de larga escala no Oriente Médio, envolvendo potências regionais e globais.

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