Morte em ritual de aviação: engenheiro sofre reação alérgica após banho de óleo no Paraná

O engenheiro Gustavo Henrique Lara, de 28 anos, morreu na quinta-feira (16) após passar por um banho de óleo de motor de aeronave durante um ritual de comemoração em uma escola de aviação em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. O ritual, conhecido como “batismo”, é realizado para celebrar conquistas na formação de pilotos, e no caso de Gustavo, ocorreu logo após seu primeiro voo solo. Familiares e amigos relataram à polícia que o rapaz estava extremamente animado para o evento, que vinha sendo aguardado há um mês.

Segundo o delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, “os amigos próximos me falaram que ele estava muito animado por esse dia; que fazia um mês que ele estava falando sobre esse dia e que ele tinha chamado todo mundo [familiares e amigos] para participar desse momento”. A celebração, no entanto, terminou em tragédia: após o óleo ser despejado sobre seu corpo, Gustavo sofreu uma reação anafilática — a forma mais grave e rápida de uma reação alérgica.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) informou que Gustavo teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias. As duas primeiras foram revertidas, mas ele não resistiu à terceira. Horas antes do incidente, o piloto recém-formado havia feito uma postagem nas redes sociais, escrevendo: “Pode ser que hoje seja o melhor dia de toda a minha formação de piloto até aqui”, acompanhada de uma foto do avião. Amigos e familiares prestaram homenagens nas redes, destacando que se tornar piloto era o maior sonho do engenheiro.

Investigação e prisão do instrutor

O caso foi registrado pela polícia. O delegado Lucas Petry afirmou que a substância foi despejada em Gustavo por um instrutor da escola, que não teve o nome divulgado. O instrutor se apresentou espontaneamente na delegacia e foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ele foi ouvido e liberado após pagar fiança de R$ 3 mil. Conforme a polícia, o instrutor confirmou ter jogado a substância no jovem durante a comemoração e disse que o banho nos formados é feito do pescoço para baixo.

Reação da escola e alerta da Anac

Em nota, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa manifestou pesar pelo falecimento do aluno e disse que, em respeito à memória dele, à sua família e ao “trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, não fará comentários adicionais sobre o ocorrido”. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) emitiu um alerta sobre o caso, afirmando que é essencial “repensar ritos de celebrações” para evitar tragédias como essa.

O caso levanta discussões sobre a segurança e os riscos de rituais tradicionais em escolas de aviação, que muitas vezes envolvem substâncias perigosas. A morte de Gustavo Henrique Lara expõe a necessidade de revisão dessas práticas, que podem colocar em risco a vida de alunos e profissionais. A investigação policial segue em andamento para apurar as circunstâncias exatas do ocorrido e possíveis responsabilidades adicionais.

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