Justiça Eleitoral determina remoção de vídeo com IA que associava governadora e ex-governador do DF a fuga e fraude

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) determinou, neste sábado (20), que o pré-candidato ao governo do DF Ricardo Cappelli (PSB) remova de suas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) que associava a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) a uma suposta fuga da Polícia Federal e a uma “fraude milionária”. A decisão, que atende a um pedido da Federação União Progressista, considerou que o conteúdo extrapola a crítica política legítima e atenta contra a honra da candidata, configurando também violência política contra a mulher.

No vídeo, uma mulher loira semelhante a Celina Leão aparecia “fugindo” com um homem parecido com Ibaneis Rocha, em um avião. Na publicação, Cappelli escreveu: “O 1º já desistiu. Esse vídeo foi feito com inteligência artificial. Mas a nossa inteligência é natural. E nós vamos até o fim.” A decisão judicial ordenou a remoção específica desse vídeo, mantendo outras publicações do pré-candidato por considerá-las manifestações “satíricas” protegidas pela liberdade de expressão.

Contexto político e crise no BRB

A determinação ocorre em meio a um cenário político conturbado no Distrito Federal. Ibaneis Rocha anunciou em maio a desistência de sua candidatura ao Senado e sinalizou um “rompimento político” com o grupo de Celina Leão, que rebateu a declaração em vídeo. Paralelamente, a governadora tenta contornar uma crise no Banco de Brasília (BRB), que enfrenta dificuldades financeiras devido a negociações com o Banco Master entre 2024 e 2025. Um acordo entre a União e o Governo do DF foi fechado para socorrer a instituição.

A Federação União Progressista, autora do pedido de remoção, argumentou que as publicações de Cappelli retratavam Celina Leão como “uma mulher loira, fútil, infantilizada, intelectualmente limitada, subordinada às decisões de um homem e disposta a participar de seus supostos ilícitos”. A federação afirmou que “a ilicitude das publicações vai além da desqualificação da honra de uma pré-candidata, mas se revela como uma violência política contra a mulher pelo: apagamento da identidade, infantilização e subordinação simbólica”.

Reações e próximos passos

Procurado pelo g1, Ricardo Cappelli afirmou que acatará a decisão, mas que irá recorrer. “Acho curioso eles se reconhecerem no vídeo porque em nenhum momento digo que são eles. […] A governadora deveria vir a público dizer quem são os envolvidos no caso. Prestaria um serviço importante”, disse à reportagem. Além de Cappelli, já se colocaram como pré-candidatos ao governo do DF, até o momento: Celina Leão (PP), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Izalci Lucas (PL), Paula Belmonte (PSDB), José Roberto Arruda (PSD) e Elisson Ferreira (Agir).

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *