Pré-candidato critica indicadores de saneamento em Alagoas durante romaria em Dois Riachos

Durante a tradicional romaria realizada no município de Dois Riachos, um pré-candidato a cargo eletivo fez duras críticas aos indicadores de saneamento básico em Alagoas, afirmando que “venderam a água e entregam o pior saneamento do Brasil”. A declaração foi registrada pela imprensa local e repercutiu entre os participantes do evento religioso, que reúne milhares de fiéis anualmente na região do Sertão alagoano.

O discurso ocorre em um contexto de crescente debate sobre a gestão dos recursos hídricos e os serviços de infraestrutura no estado. Alagoas ocupa as últimas posições no ranking nacional de saneamento básico, com indicadores que apontam baixa cobertura de coleta e tratamento de esgoto, além de deficiências no abastecimento de água tratada. A fala do pré-candidato ecoa críticas de especialistas e movimentos sociais que apontam a privatização ou concessão de serviços de água como fator agravante da desigualdade no acesso.

O evento em Dois Riachos, tradicional romaria que atrai devotos de diversas cidades alagoanas e de estados vizinhos, serviu de palco para a manifestação política. A presença de lideranças em celebrações religiosas é comum no interior nordestino, onde a fé e a política frequentemente se entrelaçam. A crítica ao saneamento, no entanto, ganhou destaque por abordar um tema sensível à população local, que enfrenta problemas históricos de infraestrutura.

Os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indicam que Alagoas tem uma das piores médias de atendimento de esgoto do país, com menos de 30% da população servida por redes coletoras. O estado também registra altos índices de doenças de veiculação hídrica, como diarreia e hepatite A, especialmente em áreas rurais e periferias urbanas. A situação contrasta com a exploração comercial da água, seja por empresas privadas ou por projetos de irrigação e geração de energia.

A declaração do pré-candidato insere-se em um panorama político mais amplo, onde o saneamento básico tornou-se tema central de campanhas eleitorais em várias regiões do Brasil. A aprovação do novo marco legal do saneamento, em 2020, abriu caminho para a participação privada no setor, gerando debates sobre tarifas, qualidade do serviço e universalização. Em Alagoas, a discussão ganha contornos específicos devido à histórica má gestão dos recursos hídricos e à dependência de sistemas precários de abastecimento.

A romaria de Dois Riachos, que ocorre anualmente em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, é um dos maiores eventos religiosos do Sertão alagoano. Neste ano, além das celebrações litúrgicas, o evento foi marcado por discursos políticos e promessas de investimentos em infraestrutura. A fala do pré-candidato, ao associar a venda da água à má qualidade do saneamento, buscou sensibilizar os eleitores para a necessidade de mudanças na gestão pública.

Especialistas ouvidos pela imprensa local destacam que a universalização do saneamento básico em Alagoas exigiria investimentos bilionários e uma coordenação efetiva entre União, estados e municípios. Atualmente, menos da metade dos municípios alagoanos possui plano municipal de saneamento, o que dificulta o acesso a recursos federais e a implementação de projetos. A crítica do pré-candidato, portanto, reflete uma insatisfação generalizada com a lentidão das obras e a falta de transparência na aplicação dos recursos.

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