O HC Pet, primeiro hospital público veterinário municipal de Maceió, iniciou nesta semana os atendimentos especializados, ampliando o acesso gratuito à saúde animal na capital alagoana. A unidade, que já oferecia consultas gerais e vacinação, agora passa a contar com serviços de oftalmologia, cardiologia, dermatologia, ortopedia e odontologia veterinária, além de exames de imagem e laboratoriais. A iniciativa visa reduzir a demanda reprimida por cuidados veterinários especializados, especialmente entre tutores de baixa renda, que antes dependiam exclusivamente de clínicas particulares ou de serviços públicos limitados.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o HC Pet realizou, desde sua inauguração em 2023, mais de 15 mil atendimentos gerais. Com a ampliação, a expectativa é que o número de consultas especializadas cresça 40% nos próximos seis meses. O hospital funciona 24 horas por dia, incluindo feriados, e atende cães e gatos de tutores inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) ou que comprovem renda familiar de até dois salários mínimos. A unidade também realiza castrações gratuitas e campanhas de vacinação antirrábica.
Impacto no sistema público e na saúde animal
A ampliação dos serviços do HC Pet representa um avanço significativo na política de saúde pública animal em Maceió, alinhando-se a tendências nacionais de municipalização do atendimento veterinário. Em 2024, o Brasil registrou um aumento de 12% no número de animais domésticos, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o que pressiona os serviços públicos de saúde animal. Em Maceió, a superlotação de clínicas particulares e a falta de especialistas no setor público geravam filas de até três meses para consultas com especialistas. O HC Pet, com a nova oferta, reduz esse tempo para uma média de 15 dias.
O programa também tem impacto indireto na saúde humana, já que animais saudáveis reduzem o risco de zoonoses, como a leishmaniose e a raiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 60% das doenças infecciosas emergentes são de origem animal, e a ampliação do acesso a cuidados veterinários é uma estratégia recomendada para prevenção. Em Maceió, a taxa de abandono animal caiu 18% desde a criação do HC Pet, segundo dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Panorama político e administrativo
A iniciativa do HC Pet insere-se em um contexto de expansão de políticas públicas de bem-estar animal em capitais brasileiras. Cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba já contam com hospitais veterinários públicos, mas Maceió se destaca por oferecer atendimento 24 horas e especialidades de alta demanda. O investimento inicial na unidade foi de R$ 8,5 milhões, com custeio anual estimado em R$ 3,2 milhões, financiados pelo orçamento municipal e por emendas parlamentares. A gestão do hospital é feita em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que fornece estagiários e residentes da área de medicina veterinária, reduzindo custos operacionais e ampliando a capacidade de atendimento.
A ampliação dos serviços ocorre em um momento de debate sobre a responsabilidade do poder público com a saúde animal. Em 2025, o Congresso Nacional discute o Projeto de Lei 1.234/2023, que propõe a criação de um fundo nacional para hospitais veterinários públicos, com repasses para municípios que adotarem programas similares. Em Maceió, a iniciativa tem sido elogiada por associações de proteção animal, mas críticos apontam a necessidade de maior transparência na fila de espera e na distribuição de vagas para especialidades. A Prefeitura de Maceió informou que está desenvolvendo um sistema online de agendamento para reduzir as desigualdades no acesso.
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