Personal trainer é preso em Salvador suspeito de estuprar e importunar sexualmente clientes durante atendimentos

Um personal trainer foi preso em Salvador suspeito de cometer estupro e importunação sexual contra clientes durante atendimentos. A Polícia Civil investiga ao menos nove denúncias de mulheres que relataram situações semelhantes de abuso, ocorridas em diferentes ocasiões, segundo informações divulgadas pela corporação. O caso, que ganhou repercussão nas redes sociais após vítimas compartilharem relatos, levou à prisão preventiva do suspeito, cujo nome não foi revelado para não prejudicar as investigações.

As denúncias começaram a surgir após uma mulher publicar um desabafo em uma rede social, detalhando que foi vítima de importunação sexual durante uma sessão de treino. Em poucos dias, outras oito mulheres procuraram a polícia para relatar episódios semelhantes, ocorridos entre 2024 e 2026. Segundo a delegada responsável pelo caso, Marta Rocha, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), os relatos indicam um padrão de comportamento do suspeito, que se aproveitava da confiança estabelecida com as clientes e da privacidade dos atendimentos individuais para cometer os abusos.

“As vítimas descrevem toques inapropriados, comentários de cunho sexual e, em alguns casos, tentativas de estupro. Ele usava a posição de autoridade como profissional de educação física para coagir as mulheres”, afirmou a delegada em coletiva de imprensa. A polícia apreendeu celulares e computadores do suspeito para análise de conversas e registros de clientes. A investigação também busca identificar se há outras vítimas que ainda não denunciaram.

O caso reacende o debate sobre a segurança em academias e a fiscalização de profissionais de educação física. O Conselho Regional de Educação Física da Bahia (CREF-BA) informou, em nota, que abriu um processo administrativo para apurar a conduta do personal trainer e que, se confirmadas as acusações, ele pode ter o registro profissional cassado. “Repudiamos veementemente qualquer ato de violência ou abuso. A conduta do profissional, se comprovada, é incompatível com os princípios éticos da profissão”, diz a nota.

O advogado do suspeito, Carlos Mendes, negou as acusações em declaração à imprensa. “Meu cliente é inocente e está sendo vítima de uma campanha de difamação. As relações com as clientes eram estritamente profissionais e consensuais”, afirmou. A defesa deve solicitar revogação da prisão preventiva nos próximos dias.

O caso também gerou protestos de movimentos feministas em Salvador. Na última segunda-feira, um grupo de manifestantes se reuniu em frente à delegacia onde o suspeito foi ouvido, pedindo justiça e mais rigor na punição de crimes sexuais. “A impunidade incentiva novos abusos. Precisamos de políticas públicas que protejam as mulheres em todos os espaços, inclusive nas academias”, disse Luciana Santos, representante do coletivo Mulheres em Luta.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia reforçou o compromisso com a apuração rigorosa do caso e orientou que outras possíveis vítimas procurem a Deam ou a delegacia mais próxima para registrar denúncia. A polícia também disponibilizou um canal anônimo para receber informações pelo Disque Denúncia (181).

O caso, que chocou a comunidade fitness de Salvador, expõe a vulnerabilidade de mulheres em ambientes de treino e a necessidade de protocolos mais claros de segurança. Enquanto a investigação segue, o personal trainer permanece preso à disposição da Justiça.

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