Ataques às urnas de Flávio Bolsonaro afastam eleitores independentes e preocupam aliados

O discurso de ataque às urnas eletrônicas, adotado pelo pré-candidato do PL Flávio Bolsonaro, tem gerado entusiasmo entre o eleitorado mais fiel ao bolsonarismo, mas preocupa aliados estratégicos devido ao risco de afastar eleitores independentes e de direita não-bolsonarista, segmentos que costumam decidir eleições polarizadas. O alerta é de interlocutores do senador, que lembram que esse tipo de retórica pode custar intenções de voto em um cenário eleitoral já tenso.

Segundo esses interlocutores, há risco ainda de queda de intenções de votos de eleitores que se consideram de direita, mas não bolsonaristas. As últimas pesquisas já mostraram um recuo de Flávio Bolsonaro nestes dois segmentos do eleitorado: independentes e direita não-bolsonarista. Esse movimento pode se acentuar e a equipe do senador do PL vai acompanhar de perto as próximas pesquisas, como a do Datafolha a ser divulgada nesta sexta-feira (24).

O ataque às urnas acaba dando mais argumentos para que os partidos do Centrão optem pela neutralidade. “Esse tipo de discurso é tóxico, dá munição para o presidente Lula, fica difícil fazer aliança com um candidato que usa esse tipo de estratégia”, analisa um líder do Centrão. A declaração reflete o temor de que a estratégia de Flávio Bolsonaro isole o pré-candidato em um momento em que alianças são cruciais para viabilizar a candidatura.

Nesta semana, Flávio Bolsonaro levantou dúvidas sobre as urnas eletrônicas. Ele disse que relatório da CIA aponta que as urnas da empresa venezuelana Smartmatic foram usadas para fraudar eleições naquele país, acrescentando que as urnas dessa empresa também são usadas no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nota rebatendo a informação de Flávio Bolsonaro, lembrando que já havia desmentido isso no passado. A Smartmatic até chegou a participar de licitação para fornecimento de urnas ao TSE, mas não ganhou a disputa.

O panorama político geral indica que a polarização entre bolsonarismo e lulismo continua a definir as estratégias de campanha, mas a rejeição a discursos considerados extremistas por parte do eleitorado moderado pode ser um fator decisivo. Enquanto Flávio Bolsonaro busca consolidar a base fiel, o risco de perder o apoio de independentes e da direita não-bolsonarista, aliado à resistência do Centrão, pode comprometer suas ambições eleitorais. A divulgação da próxima pesquisa Datafolha será um termômetro crucial para avaliar o impacto real dessas declarações.

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