Justiça do Rio bloqueia R$ 135 milhões do Banco Master e de empresas ligadas a esquema de fraude contra fundo de pensão

A Justiça do Rio determinou, nesta quinta-feira (23), o bloqueio das contas do Banco Master, da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA., da Axor Asset LTDA., de Alexandre Marchesani Canata e de Felipe Mota Separovic Rodrigues, até o valor de R$ 135 milhões. A decisão, da Vara de Fazenda Pública, atende a pedido do próprio estado do Rio de Janeiro e do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência).

O bloqueio decorre de investigações sobre um aporte de R$ 150 milhões realizado pelo Rioprevidência, entre 4 de julho e 8 de agosto de 2025, no Fundo de Investimento “Texas i Fia”. Segundo a decisão, a carteira do fundo encontrava-se, quase em sua totalidade, exposta às ações da Ambipar Participações e Empreendimentos S.A. Após cerca de um ano, as ações sofreram grande desvalorização, resultando em perda financeira de quase R$ 15 milhões para o Rioprevidência.

Indícios de gestão temerária e atos fraudatórios

O juiz Wladimir Hungria, da Vara de Fazenda Pública, destacou na decisão que “a sofisticação dos atos fraudatórios revela que a sua execução não seria possível sem o domínio do fato pelos envolvidos durante a operação que culminou com a pulverização do dinheiro público alocado”. O magistrado também identificou indícios de gestão temerária no aporte praticado pelos gestores do Rioprevidência, afirmando que “a escolha por um aporte massivo em um único ativo revela, segundo a peça inicial, um forte indício da gestão temerária alegada pela autora”.

Panorama político e judicial

O caso se insere em um contexto mais amplo de investigações sobre o Banco Master e suas relações com fundos de pensão estaduais. Em março de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal Mendonça prorrogou o inquérito que apura fraudes no Banco Master. Em julho de 2026, a Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner a depor sobre as investigações. A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) também cobra do Grupo Master um prejuízo de R$ 640 milhões ao Rioprevidência, em ação que tramita na Justiça fluminense. O bloqueio de R$ 135 milhões representa uma medida cautelar para garantir o ressarcimento dos cofres públicos, enquanto as investigações sobre a atuação do Banco Master e de seus controladores continuam em curso.

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