Tarifaço de Trump atinge 60 países; Europa respira aliviada após multa bilionária ao Google

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a cerca de 60 países, já a partir desta sexta-feira (24), geram reações dos parceiros comerciais dos americanos no mundo. A China declarou “ser contra qualquer forma de medidas tarifárias unilaterais”, mas a União Europeia não escondeu o alívio pelo fato de a taxa aplicada aos produtos europeus não ser a mais alta.

O anúncio de Washington ocorreu no mesmo dia em que a gigante americana Google foi alvo de uma pesada multa no continente europeu. “A UE saúda o fato de que esse desfecho é consistente com os compromissos dos EUA em relação às tarifas”, estabelecidos no acordo comercial firmado no ano passado entre Bruxelas e Washington, disse Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia.

A UE recebeu uma alíquota tarifária global de 10%, com isenções tarifárias adicionais para certos produtos, como cortiça e diamantes, que se somam a mercadorias já isentas, a exemplo de aeronaves e suas peças de reposição e medicamentos genéricos. Para Bruxelas, isso cria uma “dinâmica positiva” para as discussões transatlânticas sobre diversos temas, que vão desde matérias-primas estratégicas até inteligência artificial, salientou Olof Gill.

O anúncio de Washington ocorreu poucas horas depois de a UE decidir multar o Google em € 890 milhões por práticas anticompetitivas no setor digital. A decisão contra a gigante de tecnologia americana havia suscitado temores de uma retaliação por parte de Washington, já que o governo de Donald Trump costuma acusar o bloco europeu de atingir injustamente empresas americanas por meio de suas regulamentações digitais.

Novas tarifas substituem rodada temporária

Cerca de 60 economias enfrentam novas tarifas a partir da meia-noite e um minuto desta sexta-feira (24), em substituição às taxas temporárias implementadas em fevereiro por Donald Trump. Essas tarifas temporárias haviam sido adotadas após uma decisão da Suprema Corte de anular a maioria das sobretaxas estabelecidas desde o retorno de Trump ao poder. Agora, uma série de produtos que entram nos Estados Unidos vindos de uma longa lista de países passa a estar sujeita a impostos de importação de 10% ou 12,5%.

União Europeia, Reino Unido, México e Canadá, alguns dos parceiros comerciais mais importantes dos Estados Unidos, serão alvo de 10% de sobretaxa. O Brasil, já taxado em 25% na semana passada, recebeu uma nova rodada de 12,5%, resultado da investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre falhas no combate à importação de 3 mil itens acusados de serem feitos com o uso de trabalho forçado.

O panorama político global se fragmenta: enquanto a China endurece o discurso contra o protecionismo americano, a União Europeia busca capitalizar o alívio tarifário para avançar em negociações bilaterais. O Brasil, por sua vez, enfrenta uma dupla pressão — a tarifa de 25% da semana passada e a nova sobretaxa de 12,5% —, o que pode impactar setores como siderurgia e agronegócio, além de elevar o custo de insumos importados. A reação de Brasília ainda não foi formalizada, mas a medida americana deve reacender o debate sobre a dependência comercial brasileira e a necessidade de diversificação de parceiros.

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